Compatibilidade ansioso-desorganizado: quando a garantia nunca chega de todo
Compatibilidade ansioso-desorganizado: procurar certezas em quem não as pode dar de forma constante
A combinação entre vinculação ansiosa e vinculação desorganizada junta alguém que precisa de sinais frequentes de segurança com alguém cuja própria resposta à proximidade é, por definição, inconsistente, ou seja, que varia de forma imprevisível de um momento para o outro. Não é a mesma dinâmica que ansioso-evitante: o estilo evitante oferece, pelo menos, um padrão de distância estável e previsível, algo a que a pessoa ansiosa consegue, com o tempo, habituar-se. O desorganizado não oferece essa previsibilidade nem sequer na forma como se afasta, o que torna mais difícil encontrar um ponto de referência estável na relação.
Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se na teoria da vinculação de Bowlby e Ainsworth, no trabalho de Main e Solomon sobre vinculação desorganizada, e no modelo adulto de Mikulincer e Shaver. Tem uma finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação nem o acompanhamento de um profissional de saúde mental.
Um sistema de alarme à procura de respostas de um sistema sem estratégia única
A vinculação ansiosa funciona, segundo Mikulincer e Shaver, por hiperativação: o sistema de vinculação, ou seja, o conjunto de reações emocionais e comportamentais que se ativam quando sentimos que uma relação importante pode estar em risco, mantém-se alerta até obter um sinal claro de que está tudo bem, um pouco como um alarme que não desliga até receber a confirmação de que o perigo passou.
A vinculação desorganizada, tal como Main e Solomon a descreveram, não se organiza em torno de uma única estratégia. Isto quer dizer que, ao contrário de outros estilos que têm um padrão mais ou menos consistente (aproximar-se sempre, ou afastar-se sempre), aqui a proximidade é procurada e, pouco depois, sentida como ameaça, sem um desencadeador externo claro, isto é, sem que exista sempre um motivo visível que explique a mudança repentina.
Para a pessoa ansiosa, o sinal de tranquilidade que procura surge de forma irregular, o que tende a manter o sistema de alarme ativo em vez de o acalmar: mal começa a sentir-se mais segura, o comportamento do outro muda outra vez, e a procura de garantias recomeça desde o início.
O que ajuda geralmente
A investigação sobre vinculação desorganizada aponta que este padrão beneficia especialmente de acompanhamento profissional, por estar muitas vezes ligado a experiências precoces mais complexas, ou seja, a vivências difíceis na infância que ainda não foram totalmente processadas. Dentro do casal, nomear explicitamente o padrão, deixando claro que o afastamento não é uma decisão sobre a relação e que a necessidade de garantia não é um ataque, ajuda a que nenhuma das partes interprete o comportamento da outra apenas de forma pessoal, como se fosse dirigido especificamente contra ela.
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Perguntas frequentes
Porque é que esta combinação pode ser mais confusa do que ansioso-evitante?
A pessoa evitante mantém uma distância previsível. A pessoa desorganizada alterna entre procurar proximidade e proteger-se dela, o que torna essa imprevisibilidade mais difícil de ler para quem tem vinculação ansiosa e precisa de sinais constantes de segurança.
A pessoa desorganizada afasta-se de propósito para gerar confusão?
Não de forma deliberada. A alternância reflete dois sistemas de alarme que ainda não se organizaram entre si, não uma estratégia consciente.
O que costuma ajudar a estabilizar este casal?
Nomear o padrão em vez de o interpretar como rejeição ou prova de amor, e muitas vezes acompanhamento profissional, já que a vinculação desorganizada está frequentemente ligada a experiências precoces mais complexas.