ENTP: Inovador. Questionam tudo para criar novas ideias.
O perfil ENTP, conhecido como o Inovador ou o Debatedor, é uma das dezasseis estruturas psicológicas descritas pelo modelo MBTI (um sistema de classificação da personalidade, muito usado em contextos divulgativos e de recursos humanos, que agrupa as pessoas em dezasseis perfis diferentes consoante as suas preferências habituais). O que define este perfil em concreto é uma curiosidade insaciável, quase impossível de saciar, junto com uma tendência inata para questionar normas, ideias e pressupostos, tudo isto com o objetivo de gerar novas possibilidades concetuais, ou seja, novas formas de pensar sobre um problema que ainda ninguém tinha considerado.
Este padrão de comportamento representa aproximadamente 3,2% da população geral, com uma ligeira diferença entre sexos (4,0% nos homens e 2,4% nas mulheres). A psicologia da personalidade estuda este tipo de padrões para compreender melhor como é que certos indivíduos absorvem os estímulos do ambiente à sua volta e os transformam em ideias de carácter disruptivo, isto é, ideias que rompem com o que já se fazia antes.
Na prática do dia a dia, isto manifesta-se através de uma mentalidade ágil, que combina uma exploração muito aberta do mundo exterior com filtros lógicos internos bastante rigorosos, usados para resolver problemas de elevada complexidade teórica.
As quatro variáveis do perfil inovador
Nos inventários de personalidade estruturados (os questionários que costumam usar-se para chegar a este tipo de resultado), as escolhas deste grupo revelam uma combinação específica de quatro dicotomias, ou seja, quatro pares de tendências opostas entre as quais cada pessoa se situa mais perto de um lado do que do outro. Vejamos cada uma delas com um pouco mais de detalhe, porque são a base de tudo o resto que se explica neste artigo.
A primeira é a Extroversão (E). As pessoas ENTP dirigem a sua energia sobretudo para o mundo exterior, ou seja, para as pessoas, os objetos e as atividades em grupo. Obtêm estímulo através da troca verbal direta, do falar com os outros, e mostram uma marcada propensão para processar os seus pensamentos em voz alta, pensando enquanto falam em vez de pensar primeiro e falar depois.
A segunda é a Intuição (N). Priorizam os panoramas futuros, as teorias abstratas e os significados globais, em vez de se centrarem nos factos observáveis de forma imediata. Dito de outra forma, a sua atenção foca-se de forma quase automática no que poderia vir a ser, mais do que no que já existe agora mesmo diante deles.
A terceira é o Pensamento (T). Avaliam a informação e tomam decisões com base numa análise lógica, desapaixonada e impessoal, isto é, tentando deixar de lado as emoções no momento de decidir. Utilizam de forma constante o princípio de causa e efeito, colocando a verdade objetiva acima das considerações sentimentais.
A quarta é a Perceção (P). Preferem manter as suas opções em aberto e responder de forma flexível às circunstâncias à medida que estas vão surgindo, em vez de planear tudo de antemão. Sentem desconforto perante agendas restritivas e planos estruturados com rigidez, do género de um horário fechado sem margem para imprevistos.
A hierarquia cognitiva: a engrenagem dinâmica da mente ENTP
O comportamento deste perfil não responde a uma simples rebeldia por rebeldia, como por vezes se assume de forma superficial. Responde, isso sim, à interação regulada das suas funções mentais, segundo a teoria do psiquiatra suíço Carl Jung, que foi quem lançou as bases sobre as quais o MBTI se construiu mais tarde.
O radar de possibilidades através da intuição extravertida
A função regente, ou dominante, deste perfil chama-se Intuição Extravertida. Pode ser útil pensar nesta função como um tipo de radar mental: percorre o ambiente de forma contínua para detetar interligações abstratas, padrões ocultos e potencialidades futuras que outras pessoas talvez nem cheguem a notar. Ao operar de maneira associativa, isto é, saltando de uma ideia para outra por associação de conceitos em vez de seguir um caminho linear, produz saltos intuitivos espontâneos. Estes saltos costumam descartar por completo as soluções convencionais ou os caminhos já percorridos por outros antes.
O filtro de coerência através do pensamento introvertido
Para evitar que todo esse turbilhão criativo se disperse sem rumo, a mente utiliza como função auxiliar o Pensamento Introvertido. Convém pensar nesta função como um analista interno, alguém que desmonta as teorias produzidas pela intuição e as avalia sob critérios lógicos estritos. Exige que cada proposta resista a um exame rigoroso de coerência interna, ou seja, que faça sentido por si só e não se contradiga, antes de ser considerada válida.
A arte do questionamento
Para estas pessoas, nenhuma crença, norma social ou pressuposto tradicional é considerado demasiado sagrado para ser examinado ou criticado, por mais estabelecido que pareça estar. Gostam de desmontar argumentos alheios e testar os limites dos sistemas estabelecidos, não por mera provocação, mas para comprovar a sua robustez analítica, isto é, para ver se aquilo que parece sólido realmente aguenta o escrutínio.
Com frequência assumem voluntariamente a postura de advogado do diabo, um papel em que alguém defende deliberadamente uma posição contrária, mesmo sem acreditar nela, apenas para testar os argumentos do outro lado. Podem defender com grande fluência verbal posições em que nem sequer acreditam, tudo pelo prazer intelectual de observar como um sistema de ideias reage sob pressão. Um exemplo comum é o de discutirem apaixonadamente um ponto de vista numa reunião de trabalho e, no dia seguinte, defenderem o oposto com igual convicção, apenas porque agora essa é a ideia que lhes parece mais interessante de explorar.
Vantagens competitivas do estratega da improvisação
Este perfil traz consigo várias forças que costumam destacar-se em ambientes que exigem pensar de forma diferente. Têm um engenho polifacético: possuem uma facilidade notável para assimilar teorias complexas e aplicá-las de formas imprevistas na hora de resolver dilemas abstratos, quase como se conseguissem ligar áreas de conhecimento que, à partida, pareciam não ter nada em comum. Destacam-se também pela improvisação eficiente, reagindo com calma e agilidade em situações de crise, precisamente naquelas alturas em que os planos preestabelecidos falharam por completo e é preciso inventar uma solução ali mesmo, sem tempo para preparação. E têm uma comunicação persuasiva: a sua rapidez mental, junto com um carisma natural, permite-lhes entusiasmar outros grupos de trabalho, comunicando ideias de elevada complexidade de uma forma que resulta atraente até para quem não é especialista no assunto.
Os pontos cegos do visionário
O maior desafio para este perfil costuma surgir num momento muito concreto: quando o mistério concetual de um projeto já foi resolvido. Enquanto há um problema por decifrar, a pessoa ENTP está motivada ao máximo. Mas, no momento em que a tarefa entra numa fase de manutenção rotineira, ou exige uma atenção minuciosa a pequenos detalhes, o interesse decai de forma drástica. Isto provoca uma tendência natural para abandonar projetos que ainda não estão terminados, de modo a saltar para a novidade seguinte que lhes capta a atenção.
Sob níveis de pressão severa, algo curioso costuma acontecer: a capacidade de vislumbrar múltiplas possibilidades futuras, normalmente o seu maior talento, bloqueia-se. O indivíduo obceca-se então com detalhes insignificantes ou falhas menores de organização que, em circunstâncias normais, simplesmente ignoraria. É também frequente que, nestes momentos de stress elevado, apareçam preocupações de carácter hipocondríaco, ou seja, uma preocupação excessiva com a própria saúde, ou fixações com sintomas médicos menores que noutra altura passariam despercebidos.
Cenários profissionais de máximo rendimento
Existem ambientes de trabalho onde este perfil costuma sentir-se especialmente à vontade e produtivo. Um deles é a consultoria e inovação, áreas onde se requer reconfigurar modelos existentes e desenhar soluções originais para problemas que já existiam há tempo. Outro é o empreendedorismo corporativo, ou seja, a criação de novos modelos de negócio dentro de uma empresa já estabelecida, algo que costuma exigir assumir riscos calculados. E também os papéis de pensamento crítico, cargos de estratégia corporativa que valorizam precisamente essa comunicação persuasiva mencionada acima.
Aspetos que esta teoria associa ao equilíbrio deste perfil
Há também algumas áreas em que, segundo esta teoria, vale a pena prestar atenção especial. A primeira é avaliar custos reais: parar um momento antes de iniciar uma ação, para calcular os custos temporais e materiais de cada proposta, é um dos pontos que esta teoria assinala para este tipo. Dito isto, qualquer decisão com impacto económico real convém sempre avaliá-la com a informação específica do caso concreto, e não apenas com base num perfil de personalidade.
A segunda é tolerar os processos rotineiros: desenvolver a constância necessária para acompanhar os projetos até ao seu fecho, mesmo quando já deixaram de ser novidade, é outra área de desenvolvimento que esta teoria associa a este perfil.
A terceira é integrar o fator humano: dedicar tempo a ouvir os pontos de vista alheios, cuidando do impacto emocional que o próprio estilo direto e questionador pode ter nos outros, é um aspeto que esta teoria liga a relações mais saudáveis para este tipo de pessoa.
Como o resto dos tipos MBTI, este perfil descreve preferências que têm mais tradição divulgativa do que suporte psicométrico ao nível de outros modelos científicos, como o Big Five (um dos modelos de personalidade com mais respaldo dentro da psicologia académica). Por isso, convém encará-lo como um ponto de partida útil para a reflexão pessoal, e não como um diagnóstico fechado ou definitivo sobre quem somos.
Queres saber mais sobre ti?
Descobre o teu resultado com um dos nossos testes relacionados.
Perguntas frequentes
O que significa ser ENTP?
Um perfil dominado pela Intuição Extravertida e pelo Pensamento Introvertido como auxiliar: pessoas curiosas que questionam normas e ideias para gerar novas possibilidades.
Que percentagem da população é ENTP?
Aproximadamente 3,2% (4,0% nos homens, 2,4% nas mulheres).
Porque custa ao ENTP terminar projetos?
O seu interesse decai drasticamente quando o mistério concetual de uma tarefa já está resolvido; entrar em fase de manutenção rotineira resulta-lhes pouco estimulante.