Personaramic
16 Personalidades

O que é a teoria de Myers-Briggs?

Pela redação do Personaramic5 min de leitura
Ilustração minimalista das quatro dicotomias do MBTI: E-I, S-N, T-F, J-P

A teoria dos tipos psicológicos de Myers-Briggs é um modelo da personalidade que explica as diferenças de comportamento a partir de um pequeno número de preferências que, segundo a teoria, cada pessoa traz consigo.

Parte dos tipos psicológicos de Carl Jung (Jung, 1921) e foi transformada em questionário prático por Katharine Briggs e Isabel Briggs Myers (Myers e McCaulley, 1985). A sua ideia central é que as diferenças no comportamento não se devem ao acaso, mas a formas distintas de as pessoas dirigirem a sua energia, processarem a informação e tomarem decisões.

O objetivo do modelo é ordenar essas inclinações em 16 tipos qualitativos de personalidade. É um quadro de divulgação e de autoconhecimento, não uma ferramenta de diagnóstico.

Tipos versus traços: o que torna este modelo diferente

A psicologia da personalidade descreve as pessoas de duas formas: por tipos (categorias qualitativas e discretas, como esta) ou por traços (dimensões contínuas, como o Big Five).

O Myers-Briggs atribui a cada pessoa um de 16 perfis fechados; o Big Five, pelo contrário, situa cada pessoa num ponto de um espetro contínuo para cada traço.

A diferença não é só de formato. Um modelo de tipos é mais fácil de lembrar (“sou INFJ” transmite mais de relance do que cinco pontuações), mas obriga a escolher um polo pessoas que estão perto do ponto médio de uma dimensão, algo que um modelo contínuo não faz.

É uma das razões pelas quais o suporte científico do MBTI é menor do que o do Big Five. McCrae e Costa (1989) mostraram que as quatro escalas do MBTI correspondem a quatro dos cinco grandes fatores (extroversão, abertura, amabilidade e conscienciosidade), mas que se comportam como dimensões contínuas e não como tipos separados. Pittenger (1993; 2005) reuniu além disso estudos em que uma parte considerável das pessoas obtinha um tipo diferente ao repetir o questionário pouco tempo depois, sobretudo quem pontuava perto do centro de alguma escala.

As quatro dimensões da personalidade

O modelo organiza-se em torno de quatro dicotomias. Cada pessoa tem, segundo a teoria, uma tendência para um dos polos de cada par.

  • Extroversão (E) - Introversão (I): para onde se dirige a energia. A pessoa extrovertida orienta-se para o mundo exterior das pessoas e da ação; a introvertida, para o mundo interior dos conceitos e das ideias.
  • Sensação (S) - Intuição (N): como se recolhe a informação. O polo sensorial confia nos factos tangíveis e no presente; o intuitivo procura padrões, significados e possibilidades futuras.
  • Pensamento (T) - Sentimento (F): com que critério se decide. Quem prefere o pensamento analisa as consequências lógicas e impessoais; quem prefere o sentimento avalia segundo valores pessoais ou sociais.
  • Julgamento (J) - Perceção (P): como se lida com o mundo exterior. A preferência pelo Julgamento procura planeamento e fecho; a Perceção dá prioridade à flexibilidade e a manter as opções em aberto.

A dinâmica e a hierarquia de funções

A combinação das quatro letras gera um código (por exemplo, INTJ ou ENFP). Mas a teoria não é uma simples soma de letras: dentro de cada tipo há uma hierarquia de funções mentais.

A função dominante é a que mais pesa no carácter e marca o seu rumo principal. A auxiliar complementa-a: se a dominante se orienta para o mundo interior, a auxiliar ocupa-se do exterior, e vice-versa. Abaixo ficam uma função terciária e uma inferior, a menos desenvolvida.

A função inferior tem um papel próprio na teoria. A psicóloga Naomi Quenk (2002) descreveu como, sob stress intenso, essa função pouco treinada pode tomar o comando de forma tosca, o que explica porque é que uma pessoa se pode comportar “como se não fosse ela” em momentos de muita pressão.

MBTI e 16personalities: dois testes diferentes

Boa parte de quem procura “teste das 16 personalidades” chega na verdade ao 16personalities.com, que não é o MBTI. Esse site, da empresa NERIS Analytics, pede emprestado o formato de quatro letras, mas:

  • Baseia-se em traços: reelabora dimensões do Big Five em vez das preferências de Jung, e o próprio site explica que não usa as funções cognitivas.
  • Acrescenta uma quinta letra: Assertivo (-A) ou Turbulento (-T), uma escala relacionada com a sensibilidade ao stress que o MBTI não tem.
  • Usa as suas próprias alcunhas: nomes como “Arquiteto”, “Advogado” ou “Mediador” são desse site, não do MBTI oficial.

O MBTI oficial é publicado pela The Myers-Briggs Company (antiga CPP, Consulting Psychologists Press) e é pago. O nosso teste é mais um questionário, inspirado no modelo dos quatro eixos.

Aplicações e limitações do modelo

A tipologia usa-se sobretudo em desenvolvimento pessoal, orientação profissional, comunicação e gestão de conflitos no trabalho: ajuda a ver que muitos desacordos nascem de estilos diferentes de processar a informação, não de más intenções.

Apesar da sua utilidade prática, o indicador mede preferências, não capacidades nem níveis de inteligência. Não determina o sucesso numa profissão nem deve ser usado para limitar as possibilidades de ninguém. É um ponto de referência para te conheceres, e a psique humana será sempre mais complexa do que qualquer classificação.

Se quiseres ver esta teoria aplicada ao teu caso, podes fazer o nosso teste das 16 personalidades e obter o teu código de quatro letras em poucos minutos.

Fontes

  • Jung, C. G. (1921). Psychologische Typen. Rascher.
  • McCrae, R. R. e Costa, P. T. (1989). Reinterpreting the Myers-Briggs Type Indicator from the perspective of the five-factor model of personality. Journal of Personality, 57(1), 17-40.
  • Myers, I. B. e McCaulley, M. H. (1985). Manual: A guide to the development and use of the Myers-Briggs Type Indicator. Consulting Psychologists Press.
  • NERIS Analytics (s. d.). Our Theory. 16Personalities. Página do modelo
  • Pittenger, D. J. (1993). The utility of the Myers-Briggs Type Indicator. Review of Educational Research, 63(4), 467-488.
  • Pittenger, D. J. (2005). Cautionary comments regarding the Myers-Briggs Type Indicator. Consulting Psychology Journal: Practice and Research, 57(3), 210-221.
  • Quenk, N. L. (2002). Was That Really Me? How Everyday Stress Brings Out Our Hidden Personality. Davies-Black.

Queres saber mais sobre ti?

Descobre o teu resultado com um dos nossos testes relacionados.

Perguntas frequentes

O que é a teoria de Myers-Briggs?

Um modelo de avaliação da personalidade que classifica as preferências naturais de uma pessoa em 16 tipos qualitativos, segundo a forma como dirige a sua energia, processa a informação e toma decisões.

Quem criou esta teoria?

Baseia-se nos tipos psicológicos de Carl Jung (1921) e foi desenvolvida como questionário prático por Katharine C. Briggs e Isabel Briggs Myers.

Quais são as quatro dimensões do modelo?

Extroversão-Introversão, Sensação-Intuição, Pensamento-Sentimento e Julgamento-Perceção.

O MBTI é o mesmo que o teste do 16personalities.com?

Não. O MBTI é o questionário oficial de Briggs e Myers, hoje publicado pela The Myers-Briggs Company. O 16personalities.com é um teste diferente, da empresa NERIS Analytics, que pede emprestadas as quatro letras mas se baseia em traços ao estilo do Big Five, acrescenta uma quinta letra (-A ou -T) e não usa as funções de Jung.

Aviso legal: Os testes deste site têm uma finalidade puramente orientativa e de entretenimento. Não substituem, em caso algum, avaliações oficiais. O MBTI® é uma marca registada da The Myers & Briggs Foundation, Inc. Este site é totalmente independente e não tem qualquer afiliação, patrocínio, aprovação ou direitos sobre essa propriedade intelectual. Se quiseres realizar a avaliação oficial e validada, visita o site da The Myers & Briggs Company.