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Trabalho e produtividade

Tecnostress na era da IA: porque é que estar a par cansa tanto

Ilustração orgânica de uma forma central rodeada de órbitas pontilhadas cada vez mais apertadas, com pequenos círculos que giram à sua volta

«Fiz numa hora, com IA, o que antes me levava uma semana». Mensagens assim circulam todos os dias no LinkedIn e deixam a muitos leitores uma pergunta incómoda: «E eu, o que ando a fazer?».

Essa inquietação tem nome há quarenta anos: tecnostress (ou tecnoestresse, como se escreve muitas vezes no Brasil). O que a inteligência artificial traz de novo é a velocidade: ferramentas que aparecem todos os meses e regras que mudam antes de as termos aprendido.

Este artigo conta o que é, porque é que a IA o intensifica e o que dizem os dados, com a ajuda de um filósofo que o viu chegar: Byung-Chul Han, autor de A Sociedade do Cansaço e Prémio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades 2025.

Em resumo

  • O tecnostress é o stress associado à tecnologia. Descreveu-o Craig Brod em 1984, e o INSST, em Espanha, considera-o um risco psicossocial prevenível.
  • Segundo Byung-Chul Han, hoje cansa-nos mais o «podes» do que o «deves»: ninguém nos obriga, exigimo-nos nós. A IA multiplica esse «podes».
  • A IA poupa tempo, mas também o consome: 77 % de quem a usa diz que lhe acrescentou trabalho (Upwork, 2024).
  • O medo de ficar obsoleto cresceu: de 15 % para 22 % dos trabalhadores nos EUA entre 2021 e 2023 (Gallup).
  • Usá-la mais nem sempre acalma: num estudo com 1.151 pessoas, quem usava IA pontuou um pouco mais alto em ansiedade.
  • Do medo ao cansaço: nos EUA, as pesquisas por «AI fatigue» já triplicam as de «AI anxiety» (análise própria com dados do Ahrefs).

O que é o tecnostress

O termo foi cunhado pelo psicólogo norte-americano Craig Brod em 1984, num livro com um subtítulo eloquente: o custo humano da revolução informática. Brod descrevia empregados de escritório esmagados pelos primeiros computadores pessoais.

Em Espanha, a referência é a Nota Técnica de Prevenção 730 do Instituto Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (INSST), assinada por Marisa Salanova, Susana Llorens e Eva Cifre, da Universitat Jaume I, e por Clotilde Nogareda. A sua abordagem situa a origem fora da pessoa: o tecnostress é um dano psicossocial que pode ser prevenido a partir da organização.

As cinco faces do tecnostress, aplicadas à IA

Em 2007, Monideepa Tarafdar e a sua equipa publicaram no Journal of Management Information Systems o modelo mais citado sobre o tema. Identificaram cinco fontes de tecnostress. Foram pensadas para o correio eletrónico e os sistemas empresariais, mas encaixam na IA quase melhor do que na tecnologia da época:

FonteO que descreveComo se vê com a IA
SobrecargaA tecnologia obriga a trabalhar mais e mais depressaMais rascunhos, mais versões, mais coisas para rever
InvasãoO trabalho infiltra-se em qualquer momentoA sensação de que sempre se poderia estar a automatizar alguma coisa
ComplexidadeNunca se chega a dominar a ferramentaUma aplicação nova por mês, cada uma com a sua lógica
InsegurançaMedo de ser substituído pela tecnologia ou por quem a domina«Será que a IA faz isto melhor do que eu?»
IncertezaAs mudanças constantes não deixam assentar o que se aprendeuO que funcionava em janeiro já não serve em junho

O curioso é que nenhuma das cinco depende de a IA funcionar mal: surgem precisamente porque ela funciona bem e muda depressa.

Byung-Chul Han: do «deves» ao «podes»

Em 2010, o filósofo Byung-Chul Han (Seul, 1959), professor em Berlim, publicou um ensaio breve que se tornou um fenómeno editorial: A Sociedade do Cansaço (em Portugal, editado pela Relógio d’Água em 2014; no Brasil, pela Vozes em 2015). A sua tese ajuda a perceber porque é que a IA cansa tanto, embora Han não falasse dela na altura.

Da sociedade disciplinar à sociedade do desempenho

Han parte de uma distinção:

  • A sociedade disciplinar, a do século XX, funcionava com proibições e ordens externas: deves, não podes. O chefe, a fábrica, o horário.
  • A sociedade do desempenho, a atual, funciona com um verbo diferente: podes. Projetos, iniciativa, motivação. Ninguém obriga ninguém; cada um obriga-se a si próprio.

A mudança parece uma libertação, e em parte é. Mas tem um custo: quando tudo é possível, não o fazer passa a ser culpa de cada um.

O explorador que é, ao mesmo tempo, o explorado

É a ideia mais conhecida do livro. Para Han, o explorador e o explorado acabam por ser a mesma pessoa: o sujeito do desempenho julga-se livre, mas exige a si próprio mais do que lhe exigiria qualquer chefe. A autoexploração é mais eficaz do que a exploração alheia porque vem acompanhada de uma sensação de liberdade. Ninguém se revolta contra si mesmo.

Han associa este modelo àquilo a que chama doenças neuronais do século XXI: a depressão, a PHDA (no Brasil, TDAH), a perturbação de personalidade borderline e a síndrome de esgotamento profissional, o burnout. A sua origem, diz ele, está num excesso de positividade, de possibilidades, mais do que num inimigo ou numa proibição.

A IA como o «podes» definitivo

Segue-se uma leitura própria, não de Han: a IA leva o «podes» ao extremo. Se uma ferramenta permite escrever, programar, desenhar ou analisar em minutos, qualquer limite parece uma desculpa. Já não há um «não sei fazer» que sirva de travão: há sempre um tutorial, um prompt ou uma aplicação nova que o resolveria.

Raramente é preciso que um chefe mande aprender a ferramenta da moda. Cada um manda-o a si próprio, às onze da noite, com um vídeo de «dez truques de IA». É o mecanismo que Han descreve.

Muitos separadores, pouca atenção

Han dedica outra passagem à multitarefa. A conclusão é taxativa: para ele, a multitarefa não representa um progresso. Saltar de um estímulo para outro é uma atenção ampla mas superficial, a de um animal na selva que vigia tudo ao mesmo tempo. O que se perde é a atenção profunda, a que permite demorar-se em alguma coisa. Quem trabalha com três assistentes de IA abertos enquanto responde a e-mails reconhecerá a cena.

Em Não-coisas (2021; no Brasil, Vozes, 2022), Han fala já diretamente da IA: defende que a inteligência artificial calcula, mas não pensa, porque o pensamento humano começa com algo que nos afeta e nos comove. A tese é discutível, mas deixa uma ideia útil: comparar-se com uma máquina é medir-se com uma bitola que não é humana.

O paradoxo: ferramentas que poupam tempo e dão mais trabalho

Se a IA poupa tempo, porque é que tanta gente sente que trabalha mais? A história tem antecedentes.

  • Em 1930, John Maynard Keynes previu que os seus netos trabalhariam cerca de quinze horas por semana graças ao progresso técnico.
  • Em 1983, a historiadora Ruth Schwartz Cowan mostrou em More Work for Mother que os eletrodomésticos não reduziram o trabalho doméstico tanto quanto prometiam: subiram os padrões (roupa mais limpa, com mais frequência) e concentraram numa só pessoa tarefas que antes se repartiam.

Com a IA, os dados apontam no mesmo sentido. Em 2024, o Upwork Research Institute inquiriu trabalhadores e gestores:

  • 77 % dos funcionários que usavam IA disseram que ela lhes tinha acrescentado carga de trabalho.
  • 39 % passavam mais tempo a rever o que a IA gerava.
  • 23 % investiam mais tempo a aprender a usá-la.
  • 21 % recebiam mais tarefas como consequência direta da IA.
  • 47 % não sabiam como alcançar a produtividade que a empresa esperava.

O tempo poupado é reinvestido, e raramente em descanso.

Desatualizado se não a usa, dispensável se a usa

A IA cria, além disso, um duplo aperto em que nenhuma das opções tranquiliza por completo. O Work Trend Index 2024 da Microsoft e do LinkedIn, com 31.000 pessoas em 31 países, retrata-o bem:

  • 52 % de quem usava IA no trabalho não queria admitir que a usava nas suas tarefas mais importantes.
  • 53 % temiam que usá-la nessas tarefas os fizesse parecer substituíveis.

Quem não a usa teme ficar para trás; quem a usa teme que se note. As duas saídas geram ansiedade, o que ajuda a perceber porque é que tanta gente a usa sem o dizer.

FOBO: a mesma sigla, outro medo

No artigo sobre o FOMO contámos que FOBO significa fear of a better option, o medo de que surja um plano melhor. No trabalho, a mesma sigla é usada para outra coisa: fear of becoming obsolete, o medo de ficar obsoleto.

A Gallup mediu-o nos Estados Unidos em agosto de 2023:

  • 22 % dos trabalhadores temiam que a tecnologia tornasse o seu posto obsoleto, contra 15 % em 2021.
  • O salto veio sobretudo dos licenciados: de 8 % para 20 % em dois anos.
  • Entre os trabalhadores dos 18 aos 34 anos, o valor chegava aos 28 %.

Durante décadas, a automação inquietou sobretudo o trabalho manual. O salto entre os licenciados sugere que a IA generativa levou essa inquietação para os escritórios, para quem escreve, analisa ou programa.

Do medo ao cansaço: o que dizem as pesquisas

Para este artigo, analisámos como evoluíram algumas pesquisas no Google desde 2020, com as estimativas mensais da ferramenta Ahrefs. São aproximações, mas desenham uma tendência clara:

  • «AI anxiety» (ansiedade com a IA) quase não era pesquisada nos Estados Unidos antes de 2023: entre 7 e 15 vezes por mês. Depois da chegada do ChatGPT, saltou para 588 em maio de 2023 e desde então oscila entre 400 e 500.
  • «AI fatigue» (cansaço da IA) tinha pesquisas quase nulas até 2023. Ultrapassou «AI anxiety» pela primeira vez no verão de 2024 e em 2026 ronda as 1.200 por mês, o triplo.
  • «Tecnoestresse» no Brasil quase não se pesquisava até ao final de 2020, quando o termo começou a aparecer. Desde então oscila muito, entre menos de 10 e um pico de 369 pesquisas em fevereiro de 2021, sem um padrão sazonal claro.

A nossa leitura é que a conversa passou do medo do que a IA pode fazer ao cansaço de conviver com ela. É a deslocação que Han descreve: a fadiga de quem pode fazer tudo.

Como se mede a ansiedade perante a IA

O instrumento mais usado é a escala AIAS (Artificial Intelligence Anxiety Scale), que Yu-Yin Wang e Yi-Shun Wang publicaram em 2019. Distingue quatro dimensões:

  1. Aprendizagem: a inquietação por ter de aprender a usá-la.
  2. Substituição laboral: o medo de perder o emprego.
  3. Cegueira sociotécnica: a sensação de que a sociedade adota a IA mais depressa do que compreende as suas consequências.
  4. Configuração: a inquietação perante máquinas que imitam traços humanos.

O que encontraram com 1.151 pessoas

Em 2025, Naciye Güliz Uğur e Faruk Dursun publicaram na Frontiers in Psychiatry um estudo com 1.151 adultos da Turquia que mediu nove dimensões de ansiedade perante a IA, numa escala de 1 a 5. Alguns resultados:

  • A pontuação mais alta foi para a vontade de aprender sobre IA (4,03). A inquietação e o interesse convivem.
  • A cegueira sociotécnica também pontuou alto (3,41).
  • A tecnofobia, a rejeição da tecnologia, ficou entre as mais baixas (2,86).

Usá-la mais nem sempre acalma

Repete-se muitas vezes que a ansiedade perante a IA desaparece com o uso. Os dados são menos claros:

  • No estudo turco, quem usava IA pontuou um pouco mais alto em ansiedade geral do que quem não a usava (3,82 contra 3,60). E quem a usava há quatro ou cinco anos mostrava mais medo da substituição laboral do que quem a usava há um ano ou menos.
  • Num estudo saudita com 300 pessoas (Alkhalifah e colegas, 2024), quem conhecia a IA mas nunca a tinha experimentado mostrou uma ansiedade ligeiramente maior. A relação com a frequência de uso não foi significativa.

A conclusão prudente é que a familiaridade não é um antídoto automático. Conhecer melhor a ferramenta também permite ver melhor aquilo de que é capaz.

Tecnostress e tecnofobia, duas coisas diferentes

  • A tecnofobia é uma rejeição da tecnologia. Quem a tem evita usá-la.
  • O tecnostress surge muitas vezes em quem a usa todos os dias e tira partido dela. O que pesa é o ritmo, a exigência e a incerteza.

Isto bate certo com os dados anteriores: no estudo turco a tecnofobia teve pontuação baixa, e no Gallup o medo cresceu sobretudo entre jovens e licenciados. Tem mais de cansaço do conhecido do que de medo do desconhecido.

Quem o vive com mais calma

Os estudos não descrevem uma fórmula, mas sim alguns traços que se repetem nas pessoas que lidam melhor com esta mudança.

Mais tolerância à incerteza. O psicólogo Nicholas Carleton propôs em 2016 que o medo do desconhecido poderia ser o medo de fundo de muitos outros. Quem tolera melhor não saber como algo vai acabar sofre menos com uma tecnologia cujo futuro ninguém conhece.

Ambientes que acompanham. Em 2008, a equipa de Tarafdar identificou o que reduz o tecnostress nas organizações: formação na ferramenta, apoio técnico acessível e participação dos trabalhadores na forma como é implementada. O ambiente pesa tanto como a pessoa.

Uma relação diferente com o desempenho. Han fecha A Sociedade do Cansaço com uma ideia em positivo que vai buscar a Peter Handke: perante o cansaço que isola, o de quem se esgota sozinho a perseguir o seu desempenho, existe um cansaço que une, o que permite parar, olhar e estar com os outros. Para Han, essa capacidade de parar é justamente o que nos distingue de uma máquina que calcula.

O que não se sabe

  • Que empregos vão mudar e quando. As previsões sobre o emprego e a IA foram revistas tantas vezes que este artigo não faz nenhuma.
  • Como se vive em Portugal e no Brasil. A maioria dos dados vem dos Estados Unidos ou é global.
  • Como evolui ao longo do tempo. Quase todos os estudos são transversais: medem as pessoas num único momento.
  • Até onde vai Han. É um filósofo, não um investigador empírico: os seus ensaios oferecem um quadro para pensar, não provas.

O que parece sólido é a ideia central: a IA muda tanto aquilo que fazemos no trabalho como aquilo que achamos que deveríamos estar a fazer. Para quem tiver curiosidade em ver como se relaciona com a exigência, o teste de burnout, o de perfecionismo e o de síndrome do impostor oferecem uma orientação, não um diagnóstico. E se o stress deixa a mente em branco nos piores momentos, o artigo sobre porque é que o stress bloqueia a memória explica o que acontece no cérebro.

Fontes

  • Ahrefs, Keywords Explorer. Volume mensal estimado de pesquisas de «AI anxiety» e «AI fatigue» (Estados Unidos) e «tecnoestresse» (Brasil), janeiro de 2020 a outubro de 2026. Consulta própria de 14 de outubro de 2026.
  • Alkhalifah, J. M., Bedaiwi, A. M., Shaikh, N., Seddiq, W. e Meo, S. A. (2024). Existential anxiety about artificial intelligence (AI): Is it the end of humanity era or a new chapter in the human revolution: questionnaire-based observational study. Frontiers in Psychiatry, 15, 1368122. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2024.1368122
  • Brod, C. (1984). Technostress: The Human Cost of the Computer Revolution. Reading (Massachusetts): Addison-Wesley.
  • Carleton, R. N. (2016). Fear of the unknown: One fear to rule them all? Journal of Anxiety Disorders, 41, 5-21. https://doi.org/10.1016/j.janxdis.2016.03.011
  • Cowan, R. S. (1983). More Work for Mother: The Ironies of Household Technology from the Open Hearth to the Microwave. Nova Iorque: Basic Books.
  • Gallup (2023, setembro). More U.S. workers fear technology making their jobs obsolete. https://news.gallup.com/poll/510551/workers-fear-technology-making-jobs-obsolete.aspx
  • Han, B.-C. (2014). A Sociedade do Cansaço. Lisboa: Relógio d’Água. Edição brasileira: Sociedade do cansaço, trad. Enio Paulo Giachini, Petrópolis: Vozes, 2015. (Original alemão: Müdigkeitsgesellschaft, 2010).
  • Han, B.-C. (2022). Não-coisas: reviravoltas do mundo da vida. Trad. Rafael Rodrigues Garcia. Petrópolis: Vozes. (Original alemão: Undinge. Umbrüche der Lebenswelt, 2021).
  • Keynes, J. M. (1930). Economic possibilities for our grandchildren. Em Essays in Persuasion (1931). Londres: Macmillan.
  • Microsoft e LinkedIn (2024). 2024 Work Trend Index Annual Report: AI at Work Is Here. Now Comes the Hard Part.
  • Ragu-Nathan, T. S., Tarafdar, M., Ragu-Nathan, B. S. e Tu, Q. (2008). The consequences of technostress for end users in organizations: Conceptual development and empirical validation. Information Systems Research, 19(4), 417-433.
  • Salanova, M., Llorens, S., Cifre, E. e Nogareda, C. (2006). NTP 730: Tecnoestrés: concepto, medida e intervención psicosocial. Madrid: Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo. https://www.insst.es/documentacion/colecciones-tecnicas/ntp-notas-tecnicas-de-prevencion/21-serie-ntp-numeros-716-a-750-ano-2006/ntp-730-tecnoestres-concepto-medida-e-intervencion-psicosocial
  • Tarafdar, M., Tu, Q., Ragu-Nathan, B. S. e Ragu-Nathan, T. S. (2007). The impact of technostress on role stress and productivity. Journal of Management Information Systems, 24(1), 301-328.
  • Upwork Research Institute (2024, julho). Upwork study finds employee workloads rising despite increased C-suite investment in artificial intelligence. https://www.upwork.com/press/releases/upwork-study-finds-employee-workloads-rising-despite-increased-c-suite-investment-in-artificial-intelligence
  • Uğur, N. G. e Dursun, F. (2025). The social anatomy of AI anxiety: gender, generations, and technological exposure. Frontiers in Psychiatry, 16, 1641546. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2025.1641546
  • Wang, Y.-Y. e Wang, Y.-S. (2022). Development and validation of an artificial intelligence anxiety scale: an initial application in predicting motivated learning behavior. Interactive Learning Environments, 30(4), 619-634. Publicado online em 2019. https://doi.org/10.1080/10494820.2019.1674887

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Perguntas frequentes

O que é o tecnostress?

É o stress associado ao uso da tecnologia, sobretudo no trabalho. O termo foi cunhado pelo psicólogo Craig Brod em 1984. Em Espanha, a Nota Técnica de Prevenção 730 do INSST, assinada por Marisa Salanova e pela sua equipa da Universitat Jaume I, descreve-o como um dano psicossocial que pode ser prevenido nas organizações.

Tecnostress e tecnofobia são a mesma coisa?

Não. A tecnofobia é uma rejeição ou um medo da própria tecnologia. O tecnostress surge muitas vezes em pessoas que usam a tecnologia todos os dias e não a rejeitam: o que pesa é a sobrecarga, o ritmo da mudança ou a insegurança que provoca. No estudo turco de Uğur e Dursun (2025), a tecnofobia foi uma das dimensões com pontuação mais baixa.

A ansiedade com a IA é uma perturbação?

Não. Não consta como diagnóstico clínico. Na investigação é medida com escalas de autorrelato, como a AIAS de Wang e Wang, que descrevem preocupações comuns e graduais. Este artigo trata-a como uma experiência frequente no trabalho, não como um problema de saúde.

O que significa FOBO no trabalho?

No contexto laboral, FOBO é usado como sigla de fear of becoming obsolete, o medo de ficar obsoleto. A Gallup mediu-o em 2023: 22 % dos trabalhadores dos Estados Unidos temiam que a tecnologia tornasse o seu posto obsoleto, contra 15 % em 2021. A mesma sigla tem outro significado na vida social: fear of a better option, o medo de que surja um plano melhor.

Porque é que a IA pode dar mais trabalho em vez de menos?

Porque o tempo que poupa costuma ser reinvestido em rever o que produz, aprender a usá-la e assumir novas tarefas. No estudo da Upwork de 2024, 77 % dos funcionários que usavam IA disseram que ela lhes tinha acrescentado carga de trabalho. É um padrão com história: os eletrodomésticos do século XX também não reduziram o trabalho doméstico tanto quanto prometiam.