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Trabalho e produtividade

Decisor dependente: decides melhor com o apoio de outros

Por Ramón Personaramic3 min de leitura
Ilustração minimalista de duas figuras geométricas ligadas

Sentes-te mais seguro a decidir com o apoio ou o conselho de outras pessoas do que estando completamente sozinho perante a decisão.

Não é indecisão em sentido estrito: é uma preferência por confrontar antes de te comprometeres, não uma incapacidade de ter critério próprio.

O que diz o modelo de Scott e Bruce sobre este estilo

No modelo de estilos de decisão de Suzanne Scott e Reginald Bruce (1995), o estilo dependente caracteriza-se pela necessidade de orientação, apoio ou conselho de outras pessoas antes de decidir. Ao contrário do estilo evitador (que atrasa a decisão em si), aqui o processo avança com normalidade sempre que exista a possibilidade de consultar: o apoio externo funciona como uma forma de reduzir a incerteza percebida, não como uma desculpa para não decidir.

Traços habituais deste estilo

  • Procura-se ativamente a opinião de outros antes de fechar uma decisão, mesmo em assuntos pessoais.
  • A confiança na própria decisão aumenta claramente se alguém de confiança a apoiar.
  • Decidir completamente sozinho gera mais dúvida do que geraria a outros perfis perante a mesma situação.
  • Costuma encaixar bem em ambientes de trabalho colaborativo, onde consultar antes de decidir é a norma, não a exceção.

Ganhar autonomia sem perder o hábito de confrontar

O desafio não é deixar de consultar, algo que traz perspetivas reais e é uma força em muitos contextos, mas sim desenvolver mais confiança nas decisões tomadas sozinho, quando não há a quem perguntar. Ensaiar com decisões de baixo risco, decidindo primeiro sem consultar e confrontando depois o resultado, é uma abordagem que algumas pessoas consideram útil para calibrar que o próprio critério pode ser mais fiável do que às vezes se percebe.

Apoiar-se no sistema, não só na força de vontade

James Clear, em Hábitos Atómicos (2018), argumenta que o ambiente molda o comportamento com mais fiabilidade do que a força de vontade: em vez de depender de te sentires seguro por dentro no momento exato de decidir, convém construir à volta um sistema que sustente a decisão a partir de fora. Esse princípio encaixa diretamente com este perfil, ainda que convenha aplicá-lo com cuidado: procurar o conselho de outras pessoas antes de decidir não é uma fraqueza de caráter que seja preciso corrigir à base de vontade, é em si mesmo um sistema, uma estrutura externa que reduz a incerteza de forma consistente. Clear assinala que redesenhar o ambiente costuma funcionar melhor do que exigir mais disciplina a nós próprios, e para este perfil isso pode traduzir-se em construir de antemão esse sistema de apoio: ter claro a quem consultar consoante o tipo de decisão, ou fixar um critério simples como “antes de decidir isto, falo com uma pessoa de confiança”. Formalizar assim o próprio processo de consulta, em vez de o deixar à improvisação de cada momento, não reduz a autonomia da pessoa: dá ao estilo dependente uma estrutura estável em que se apoiar, mesmo nos casos pontuais em que não há ninguém disponível para perguntar.

Se no teu caso o que atrasa a decisão não é a falta de apoio mas a dificuldade em comprometeres-te com qualquer opção, revê o perfil decisor evitador. Podes voltar ao teu resultado completo no teste Qual é o meu estilo de decisão.

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Perguntas frequentes

O estilo dependente é sinónimo de insegurança?

Não exatamente. É uma preferência real por confrontar decisões com outras pessoas, algo que em muitos contextos, como o trabalho em equipa ou as decisões complexas, é uma vantagem, não um defeito.

Pode complicar as decisões que é preciso tomar sozinho?

Sim, é aí que mais se nota: sem a possibilidade de consultar, este estilo pode alongar o processo ou gerar mais dúvidas do que teria outro perfil perante a mesma decisão.

De onde vem este modelo de estilos de decisão?

Do trabalho de Suzanne Scott e Reginald Bruce (1995), que descreveu cinco estilos: racional, intuitivo, dependente, evitador e espontâneo.

É compatível com ter bom critério próprio?

Totalmente. Consultar não é o mesmo que não ter opinião: muitas pessoas com este estilo chegam a uma ideia clara e mesmo assim preferem confrontá-la antes de decidir de vez.