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Trabalho e produtividade

Decisor espontâneo: decides no momento e ajustas o rumo pelo caminho

Por Ramón Personaramic3 min de leitura
Ilustração minimalista de uma seta em ziguezague

Decides no momento, quase por impulso, e sentes-te confortável a ajustar o rumo pelo caminho em vez de planear tudo com antecedência.

A rapidez não é apenas um efeito secundário da tua forma de decidir: é, em si mesma, parte do que valorizas no processo.

Decidir já: o traço que define este estilo

No modelo de estilos de decisão de Suzanne Scott e Reginald Bruce (1995), o estilo espontâneo distingue-se pela sensação de urgência e pela preferência por decidir o quanto antes, minimizando o tempo dedicado a deliberar. Ao contrário do estilo intuitivo, que se apoia numa impressão geral construída sobre a experiência, o espontâneo valoriza a imediatez do próprio ato de decidir, quase como um traço de estilo pessoal mais do que como uma estratégia calculada.

Como se reconhece este estilo na prática

  • As decisões tomam-se com muito pouca deliberação prévia, mesmo quando haveria tempo para as pensar mais.
  • O desconforto perante a indecisão alheia pode ser maior do que perante a própria: “é preciso decidir já” é uma frase habitual.
  • Tolera-se bem o erro e o ajuste posterior, sem dar demasiadas voltas ao que já foi decidido.
  • Funciona especialmente bem em ambientes mutáveis, onde a rapidez importa mais do que o planeamento exaustivo.

Onde a velocidade deixa de ser uma vantagem

O risco deste estilo aparece em decisões de maior peso, onde “ajustar pelo caminho” tem uma margem muito mais estreita: grandes compromissos económicos, mudanças profissionais importantes ou decisões difíceis de reverter. Para esse tipo de decisões, Kahneman e Tversky (1979) sugerem reservar uma pausa breve antes de te comprometeres, como uma forma possível de reduzir parte do risco sem renunciar à agilidade que caracteriza este perfil no resto das situações; perante decisões económicas ou profissionais de peso real, isto não substitui a informação específica nem, se for preciso, o aconselhamento de um profissional qualificado.

A lei de tornar atrativo, aplicada a este perfil

James Clear, em Hábitos Atómicos (2018), descreve a segunda das quatro leis da mudança de comportamento, “torna-o atrativo”, como o mecanismo pelo qual certos comportamentos ganham força simplesmente porque resultam imediatamente apetecíveis, novidosos ou estimulantes no momento, para além de serem ou não a melhor opção a longo prazo. Esse princípio ilumina bem o mecanismo de fundo deste perfil: decidir depressa não só resolve a incerteza, também traz uma descarga imediata de estímulo e alívio que o próprio ato de decidir com rapidez já gera por si só, quase à margem do conteúdo da decisão. Clear adverte que quanto mais atrativo resulta um comportamento no instante, mais fácil é que se repita mesmo que nem sempre convenha, e esse é precisamente o ponto cego deste estilo: a satisfação de já ter decidido pode pesar mais, no momento, do que a conveniência real de ter esperado um pouco. Reconhecer essa atração pela imediatez como o que é (um impulso real e não um defeito de caráter) ajuda a colocar um filtro só onde é preciso: deixar que esse gosto por decidir depressa continue a funcionar no dia a dia, e reservar conscientemente esse único travão breve para as decisões em que errar custa caro.

Se preferes analisar a informação disponível antes de decidir, em vez de decidir primeiro e ajustar depois, revê o perfil decisor racional. Podes voltar ao teu resultado completo no teste Qual é o meu estilo de decisão.

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Perguntas frequentes

O estilo espontâneo é o mesmo que o intuitivo?

Estão relacionados mas não são idênticos: o intuitivo confia numa impressão geral antes de decidir; o espontâneo, além disso, valoriza a rapidez em si mesma e decide com muito pouca deliberação prévia.

Decidir depressa é sempre um problema?

Não. Em contextos mutáveis ou com prazos muito apertados, decidir depressa e ajustar depois pode ser mais eficaz do que uma análise longa que chegue tarde.

De onde vem este modelo de estilos de decisão?

Do trabalho de Suzanne Scott e Reginald Bruce (1995), que descreveu cinco estilos: racional, intuitivo, dependente, evitador e espontâneo.

Quando convém travar este estilo?

Em decisões de alto impacto e difícil marcha atrás (grandes compromissos económicos, profissionais ou pessoais), onde a margem para «ajustar pelo caminho» é muito menor.