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Vinculação

Compatibilidade evitante-evitante: calma, mas por vezes distante

Por Rafa Personaramic2 min de leitura
Ilustração minimalista de dois círculos separados por um espaço amplo

Compatibilidade evitante-evitante: quando ninguém persegue, mas também ninguém se aproxima

Duas pessoas com vinculação evitante, ou seja, duas pessoas que tendem a sentir-se mais confortáveis com a distância do que com a proximidade emocional, raramente entram no ciclo de perseguição e fuga que surge quando uma das duas tem vinculação ansiosa (esse padrão em que uma pessoa se aproxima cada vez mais forte enquanto a outra recua ainda mais depressa). O risco aqui é diferente: que a distância se torne a norma sem que nenhuma das duas a questione, quase sem que ninguém se dê conta disso.

Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se na teoria da vinculação de Bowlby e Ainsworth, no modelo adulto de Bartholomew, e na aplicação destes conceitos à vida a dois feita por Amir Levine e Rachel Heller. Tem uma finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação nem o acompanhamento de um profissional de saúde mental.

Ao não haver uma das partes a reclamar proximidade de forma ativa, esta combinação costuma ser descrita como de baixo conflito, isto é, uma relação com poucas discussões visíveis: nenhuma das duas pessoas interpreta o espaço da outra como rejeição, porque ambas valorizam a independência de forma semelhante e não sentem a necessidade constante de confirmação que caracteriza outros estilos. Pode ser uma relação estável e funcional durante muito tempo, sem grandes sobressaltos à superfície.

O custo, quando surge, é subtil: a evitação de ambas as partes pode reforçar-se mutuamente em vez de se compensar, um pouco como duas pessoas que, ao evitarem cada uma o seu próprio desconforto, acabam por normalizar entre si um afastamento que nenhuma delas escolheu de forma explícita. Temas que exigem vulnerabilidade, como um conflito de fundo, uma necessidade não satisfeita ou uma conversa sobre o futuro da relação, podem ser adiados indefinidamente porque nenhuma das duas toma a iniciativa de os abrir, já que ambas preferem, por instinto, não remexer no que pode gerar desconforto.

A diferença em relação ao casal seguro-seguro não é a ausência de conflito, mas sim a ausência de proximidade ativa: enquanto duas pessoas seguras se aproximam sem que isso lhes custe, quase de forma natural, duas pessoas evitantes podem coexistir confortavelmente sem que a intimidade emocional se aprofunde, a menos que uma das duas decida, de forma consciente e deliberada, começar a pedi-la em voz alta.

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Perguntas frequentes

É uma combinação destinada à distância permanente?

Não necessariamente, mas exige que pelo menos uma das duas pessoas dê o passo de pedir mais proximidade de forma explícita, já que nenhuma o fará por defeito.

Por que há menos conflito do que noutras combinações?

Porque nenhuma das duas pessoas persegue ativamente a outra nem interpreta o espaço como uma ameaça, por isso o ciclo de perseguição e fuga não se ativa.

Este casal pode ter intimidade real?

Sim, mas costuma exigir um esforço consciente de ambas as partes para abrir temas que, de outra forma, ficariam por tratar indefinidamente.