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Vinculação

Vinculação segura: confiar nos outros sem perderes a tua independência

Por Rafa Personaramic5 min de leitura
Ilustração minimalista com as palavras VINCULAÇÃO SEGURA num emblema geométrico

Vinculação segura: o equilíbrio entre proximidade e autonomia

A vinculação segura é um dos padrões que a psicologia usa para descrever como nos ligamos afetivamente aos outros, e é aquele em que a pessoa se sente confortável tanto com a intimidade como com a independência. Procura proximidade quando precisa dela, sem vergonha nem hesitação, mas não teme ficar sozinha durante algum tempo. Confia também que as relações importantes resistem aos desacordos normais da vida, ou seja, não entra em pânico só porque houve uma discussão ou um mal-entendido pontual.

Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se na teoria da vinculação de Bowlby e Ainsworth (um modelo desenvolvido a partir da década de 1950 sobre como os laços afetivos da infância moldam as nossas relações em adultos) e em investigação posterior (Bartholomew, Sternberg, entre outros) e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação, o diagnóstico nem a intervenção de um profissional de saúde mental.

De onde vem: uma figura de cuidado consistente

Na chamada «situação estranha», uma experiência clássica desenhada por Mary Ainsworth em que uma criança pequena é brevemente separada da sua figura de cuidado (normalmente a mãe) numa sala com brinquedos, os bebés classificados como seguros mostravam-se incomodados quando a mãe saía da sala. Isso é normal e esperado, qualquer bebé sente algum desconforto nessa situação. O que os distinguia era outra coisa: conseguiam acalmar-se com relativa rapidez quando a mãe regressava, e voltavam depressa a explorar o ambiente e a brincar. Ou seja, o que distingue este padrão não é a ausência de mal-estar perante a separação, algo que também sentem, mas sim a capacidade de regular esse mal-estar assim que a fonte de conforto volta a estar disponível.

A investigação relaciona este resultado com figuras de cuidado consistentemente sensíveis e disponíveis ao longo da infância, não perfeitas, ninguém é um cuidador perfeito, mas suficientemente previsíveis para que o bebé desenvolva o que Bowlby chamou de modelo operativo interno positivo. Em termos simples, trata-se de uma espécie de expectativa de base, quase um hábito mental, de que perante uma necessidade haverá resposta por parte dos outros.

Como se manifesta nas relações

No dia a dia de uma relação, este padrão costuma notar-se em vários sinais concretos. Existe conforto com a intimidade sem perder a identidade própria: a proximidade com o outro não anula a autonomia da pessoa, nem a sua autonomia impede que se aproxime quando quer. Perante um desacordo, a comunicação tende a ser direta, porque os conflitos são vividos como algo que se pode resolver, e não como uma ameaça ao próprio vínculo. A confiança também resiste a mal-entendidos pontuais: um silêncio mais longo do que o habitual ou uma resposta um pouco seca não é lido automaticamente como um sinal de alarme ou de rejeição. E há uma capacidade equilibrada de pedir e de oferecer apoio, sem que isso seja vivido nem como uma fraqueza, nem como um excesso incómodo.

O que diz o modelo de duas dimensões

No modelo de Bartholomew, um esquema muito usado para descrever os quatro estilos de vinculação em adultos, a vinculação segura é o único dos quatro perfis que combina um modelo positivo de si próprio com um modelo positivo dos outros. Isto quer dizer que a pessoa se sente merecedora de amor e, ao mesmo tempo, acredita que os outros são, em geral, dignos de confiança. Essa combinação de duas confianças, em si próprio e nos outros, explica por que este estilo tende a navegar com mais facilidade tanto a proximidade como o desacordo, sem se sentir ameaçado por nenhum dos dois.

Compatibilidade na relação

O psicólogo Robert Sternberg descreveu o amor consumado como a combinação de paixão, intimidade e compromisso, os três em níveis elevados e sustentados ao longo do tempo, não apenas no início da relação. A investigação relaciona a vinculação segura com uma maior probabilidade de alcançar e manter precisamente essa combinação. A combinação segura-segura, ou seja, duas pessoas com vinculação segura juntas, costuma ser a mais estável entre todas as possíveis, mas o efeito não se limita a esse par. Um parceiro seguro tende também a funcionar como base segura para um parceiro com um estilo mais inseguro, ajudando a suavizar tanto a vinculação ansiosa como a vinculação evitante ao longo do tempo, através de constância e de uma forma de comunicar que não reforça nem o alarme de um, nem a distância do outro.

O que a investigação propõe sobre este padrão

Manter e reforçar este padrão ao longo da vida associa-se, segundo a investigação, a alguns fatores que se repetem com frequência:

  1. Consistência nas pequenas respostas do dia a dia: pequenos gestos de disponibilidade, uma resposta a tempo, um olhar de atenção, repetidos ao longo do tempo, pesam mais do que grandes provas de amor pontuais e ocasionais.
  2. Reparação ativa após o conflito: não é a ausência de desacordo que define este padrão, ninguém discorda zero vezes numa relação longa, mas sim a capacidade de resolver esse desacordo e de restabelecer a proximidade depois dele.
  3. Espaço para a individualidade do outro: apoiar a autonomia do parceiro, os seus planos próprios, os seus amigos, os seus interesses, sem a interpretar como uma forma de distância emocional.
  4. Comunicação direta das próprias necessidades: pedir claramente o que se precisa, em vez de esperar que o outro adivinhe, tal como discutido em comunicação segundo o teu estilo de vinculação.

Vale a pena lembrar que este estilo não é sinónimo de ausência de dificuldades relacionais. Mesmo perante uma base segura, algumas situações continuam a beneficiar do acompanhamento de um profissional de psicologia com cédula profissional.

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Perguntas frequentes

O que é a vinculação segura?

O estilo que combina conforto com a intimidade e conforto com a autonomia: a pessoa confia nos outros sem depender deles de forma ansiosa, e valoriza a sua independência sem a usar como escudo.

A vinculação segura nasce connosco ou desenvolve-se?

Ambas as coisas contribuem, mas a investigação mostra que se pode desenvolver ao longo da vida através de relações reparadoras, o que os investigadores chamam de 'vinculação ganha'.

Que percentagem da população tem vinculação segura?

Os estudos costumam situar este estilo entre 50% e 60% da população adulta, tornando-o o mais comum dos quatro, embora as proporções variem consoante a amostra e o instrumento usado.

Com que tipo de parceiro combina melhor?

Costuma funcionar particularmente bem com outro parceiro de vinculação segura, mas também tende a atuar como uma 'base segura' que ajuda a estabilizar parceiros com estilos mais inseguros.