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Vinculação

Compatibilidade seguro-seguro: a combinação de referência

Por Rafa Personaramic2 min de leitura
Ilustração minimalista de dois círculos do mesmo tamanho sobrepostos em equilíbrio

Compatibilidade seguro-seguro: quando nenhum dos dois precisa de ativar o sistema de alarme

Das dez combinações possíveis entre os quatro estilos de vinculação, a de duas pessoas com vinculação segura, ou seja, o estilo de quem se sente confortável tanto com a proximidade como com a independência dentro de uma relação, é a que mostra de forma mais consistente maior satisfação e estabilidade. Não porque não tenham conflitos, algo que seria impossível para qualquer casal, mas porque nenhum dos dois interpreta um desacordo como uma ameaça ao vínculo inteiro.

Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se na teoria da vinculação de Bowlby e Ainsworth, no modelo adulto de Bartholomew, e na aplicação destes conceitos à vida a dois feita por Amir Levine e Rachel Heller. Tem uma finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação nem o acompanhamento de um profissional de saúde mental.

Ambos toleram bem a proximidade e a independência do outro, comunicam de forma direta o que precisam, sem rodeios nem indiretas, e recuperam rapidamente depois de uma discussão, sem que a tensão se prolongue durante dias. Segundo o psicólogo Robert Sternberg, esta combinação é a que mostra de forma mais consistente níveis altos nas três dimensões do amor da sua teoria triangular, um modelo que descreve o amor como a combinação de três ingredientes: paixão, intimidade e compromisso. Quando os três estão presentes em níveis altos, Sternberg chamou-lhe “amor consumado”, ou seja, a forma mais completa que a sua teoria descreve.

Isto não significa que seja uma relação sem fricção. Significa que a fricção não se torna automaticamente numa ameaça existencial ao vínculo, isto é, não faz duvidar do futuro da relação inteira: é nomeada, ou seja, posta em palavras em vez de ignorada, negociada, e segue-se em frente. Nenhum dos dois precisa de provas constantes de compromisso, e nenhum responde à vulnerabilidade do outro com distância ou pânico, algo que noutras combinações costuma acontecer com muito mais facilidade.

O risco, se existir, é diferente do das outras combinações: ao não gerar os picos de conflito que surgem com estilos inseguros, um casal seguro-seguro pode dar como garantida a sua própria estabilidade, como quem deixa de regar uma planta por achar que já cresceu o suficiente, e negligenciar a atenção ativa que, segundo a literatura sobre vinculação, a sustenta com o tempo.

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Perguntas frequentes

Um casal seguro-seguro nunca tem conflitos?

Não. Tem os mesmos desacordos que qualquer casal; a diferença é que nenhum dos dois interpreta o conflito como uma ameaça à relação inteira, por isso resolve-se com mais facilidade.

É a única combinação que funciona bem?

Não. É a que mostra de forma mais consistente maior satisfação, mas a vinculação segura também desempenha um papel valioso como "base segura" em combinação com estilos inseguros.

Um casal seguro-seguro pode tornar-se inseguro com o tempo?

A segurança não é um estado permanente e imune ao contexto: a literatura descreve-a como algo que se mantém com atenção ativa, sobretudo nos momentos de mais stress.