Perfil otimista: esperar que as coisas corram bem, sem ingenuidade
Perfil otimista: a expectativa estável de que vais conseguir
Não é negar os problemas. É a expectativa estável de que, em geral, vais encontrar forma de os resolver. O perfil otimista descreve o chamado otimismo disposicional: uma tendência relativamente estável para esperar bons resultados, não um estado de espírito passageiro.
De onde vem este otimismo
O otimismo disposicional foi estudado em profundidade pelos psicólogos Michael Scheier e Charles Carver, que o definiram como a tendência geral e estável para esperar que as coisas corram bem. Não é ingenuidade nem negação: a sua investigação associa-o de forma consistente a melhor gestão do stress e melhores indicadores de saúde a longo prazo, precisamente porque quem espera conseguir resolver um problema o enfrenta de forma mais ativa do que quem já dá como certo que vai correr mal.
Como se manifesta no dia a dia
- Perante um problema, confias que vais encontrar forma de o resolver, mais do que ficares paralisado/a pela incerteza.
- Interpretas os fracassos como algo pontual, não como um padrão que se vai repetir indefinidamente.
- Raramente imaginas os piores cenários possíveis antes de um evento importante.
- Confias que, a longo prazo, as coisas tendem a correr razoavelmente bem, mesmo quando o presente é difícil.
Onde o otimismo pode falhar
O risco real deste perfil é que um otimismo sem contacto com os dados pode levar a subestimar riscos genuínos, ou a preparares-te menos do que o necessário perante um desafio difícil. A mesma expectativa que te ajuda a enfrentar o stress pode, em decisões de alto risco, fazer-te ignorar informação relevante que um perfil mais cauteloso teria em conta.
Como combiná-lo melhor com a prudência
Segundo Norem e Cantor (1986), incorporar uma revisão concreta dos riscos reais antes de decisões importantes não exige deixar de ser otimista, é apenas uma verificação adicional, e distinguir entre a expectativa geral (confiar que as coisas vão correr bem a longo prazo) e a avaliação pontual de uma decisão específica pode ajudar a não ignorar informação relevante. A investigação associa este perfil a uma gestão do stress mais eficaz do que a de perfis mais pessimistas na maioria dos contextos, ainda que em decisões de alto risco contar com a perspetiva de alguém com um perfil mais realista ou cauteloso possa trazer a verificação de dados que o otimismo tende a ignorar. Qualquer decisão importante de dinheiro, saúde ou negócio convém tomá-la com informação específica e, se for preciso, com o critério de um profissional qualificado.
O estilo explicativo: porque interpretas os fracassos como algo passageiro
Martin Seligman (1990), na sua investigação sobre o otimismo aprendido, explica o mecanismo concreto por trás desta tendência com o que chama estilo explicativo: a forma habitual de interpretar porque acontece algo mau. Quem tem um estilo explicativo otimista atribui os fracassos a causas temporárias e específicas dessa situação (“desta vez não correu bem, por este motivo concreto”), enquanto um estilo pessimista os atribui a causas permanentes e gerais (“isto acontece-me sempre”, “não tenho jeito nenhum para isto”). Essa diferença de atribuição, segundo Seligman, é o que explica por que razão interpretas um fracasso pontual como algo passageiro em vez de como um padrão fixo, sem que isso signifique negar que o fracasso ocorreu. Seligman documentou ainda que este estilo explicativo, ao contrário de um traço de personalidade fixo, pode ser treinado de forma deliberada, algo que se liga à investigação de Scheier e Carver já citada sobre o próprio otimismo disposicional.
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Perguntas frequentes
O otimismo é o mesmo que a ingenuidade?
Não. O otimismo disposicional é a expectativa estável de que, em geral, as coisas te vão correr bem, não a negação dos problemas reais.
Porque não imagino os piores cenários antes de um evento importante?
Porque a tua expectativa de fundo é positiva: confias que vais conseguir gerir o que vier, por isso antecipar catástrofes não faz parte da tua forma habitual de te preparares.
O otimismo é sempre benéfico?
Associa-se de forma consistente a melhor gestão do stress, mas sem contacto com os dados reais pode levar a subestimar riscos genuínos.
Posso combinar o otimismo com mais prudência?
Sim. Acrescentar uma revisão pontual e concreta dos riscos reais antes de decisões importantes não exige deixar de ser otimista, é apenas uma verificação breve adicional.