Enfrentamento centrado no problema: agir primeiro, sentir depois
Enfrentamento centrado no problema: primeiro agir, depois sentir
O enfrentamento centrado no problema é um dos dois grandes estilos que os psicólogos Richard Lazarus e Susan Folkman descreveram no seu modelo clássico do enfrentamento do stress: perante uma dificuldade, o primeiro movimento é agir diretamente sobre a sua causa, não gerir como isso te faz sentir.
Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se no modelo de enfrentamento de Lazarus e Folkman e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde mental.
De onde vem: agir sobre a causa
Lazarus e Folkman observaram que as pessoas respondem ao stress com duas grandes estratégias: uma orientada para modificar a situação que o provoca (centrada no problema) e outra orientada para regular a resposta emocional que essa situação gera (centrada na emoção). Quem predomina no primeiro estilo tende a avaliar rapidamente o que pode fazer a esse respeito, e a pô-lo em prática antes de se deter demasiado em como se sente pelo caminho.
Como se nota no dia a dia
- Procura imediata de soluções: perante um problema, o primeiro impulso é perguntar o que se pode fazer, não como se sente a pessoa a esse respeito.
- Planeamento ativo: dividir um problema grande em passos concretos e geríveis.
- Necessidade de sentir controlo: a sensação de estar a fazer algo, ainda que pequeno, reduz o mal-estar mais do que falar sobre o que se sente.
- Impaciência com a inação: custa ficar simplesmente à espera ou a “deixar as coisas acontecerem”.
Quando funciona melhor (e quando não)
A investigação posterior a Lazarus e Folkman é clara num aspeto importante: este estilo funciona especialmente bem quando o fator de stress é controlável, um exame, um projeto de trabalho, um problema com solução prática identificável. O ponto cego aparece quando a situação não depende das próprias ações: uma perda, uma doença, uma decisão alheia. Aí, insistir em “fazer algo” quando não há nada a fazer pode gerar mais frustração do que alívio, e costuma ser o momento em que vale a pena apoiar-se também noutras estratégias, como processar a emoção ou procurar apoio no ambiente próximo.
Imagina dois colegas de trabalho a saberem no mesmo dia que o seu projeto foi cancelado por uma decisão da direção alheia a eles. Quem predomina neste estilo passa a tarde inteira a reescrever o currículo e a contactar antigos clientes, e só dias depois nota que ainda não processou a raiva inicial. A ação não substituiu a emoção, apenas a adiou.
A liberdade de escolher a resposta, segundo Viktor Frankl
O psiquiatra Viktor Frankl, sobrevivente de vários campos de concentração nazis e fundador da logoterapia, desenvolveu em O Homem em Busca de Sentido (1946) uma ideia que encaixa perfeitamente neste estilo de enfrentamento: mesmo nas circunstâncias mais extremas e incontroláveis, resta à pessoa uma liberdade que ninguém lhe pode tirar, a de escolher a sua atitude e a sua resposta perante o que lhe acontece. O enfrentamento centrado no problema é, de certa forma, essa ideia levada à prática quotidiana: em vez de ficar na experiência passiva do mal-estar, a pessoa procura ativamente que margem de ação real tem, por pequena que seja, e ocupa-a. Frankl observou isto num contexto muitíssimo mais duro do que o de um exame ou um problema de trabalho, mas o mecanismo psicológico de fundo, agir sobre aquilo que sim depende de nós em vez de apenas sofrer o que não depende, é o mesmo.
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Perguntas frequentes
O enfrentamento centrado no problema é sempre a melhor opção?
Nem sempre. Funciona especialmente bem quando o fator de stress é controlável; quando não é, insistir em agir sobre algo que não se pode mudar pode gerar mais frustração do que alívio.
É incompatível com processar as emoções?
Não, embora costume ficar em segundo plano: a pessoa com este estilo tende a adiar a gestão emocional para depois de ter agido sobre a causa.
Pode combinar-se com outros estilos de enfrentamento?
Sim, é aliás o mais habitual. A maioria das pessoas combina vários estilos consoante a situação; este teste assinala qual predomina nas tuas respostas.
Este resultado é um diagnóstico?
Não. É uma aproximação orientativa e divulgativa, não uma escala clínica validada.