Estilo de aprendizagem leitor-escritor: aprender a ler e a escrever
Estilo leitor-escritor: quando escrever ajuda a pensar
Quem tem o estilo leitor-escritor como predominante retém melhor a informação quando a lê e, sobretudo, quando a reorganiza por escrito com as suas próprias palavras: notas, resumos, listas.
O ato de escrever não é para eles apenas um registo passivo: é parte ativa de como processam e entendem a informação. É habitual combinar-se com o estilo visual, tomando notas que misturam texto e esquemas.
Traduzir tudo para palavras próprias
Receber a informação por escrito é só metade do retrato: há modelos que, em vez de se fixarem no canal, se fixam noutra pergunta, em que fase do processo de aprender te sentes mais confortável. Sistematizar um tema por escrito, procurando a estrutura lógica das ideias, liga-se bem ao estilo “teórico” que descreveram Peter Honey e Alan Mumford a partir do ciclo de aprendizagem experiencial de David Kolb: quem prefere analisar e integrar a informação em modelos coerentes antes de a aplicar. As duas abordagens não competem: podes ser leitor-escritor em como processas a informação e, ao mesmo tempo, mais ativo ou mais reflexivo em como enfrentas o processo de aprender no seu conjunto.
Sinais para o reconhecer
Perante um manual novo de um programa ou de uma ferramenta, alguém com este estilo provavelmente prefere ler a documentação e tomar as suas próprias notas em vez de ver um vídeo tutorial que explica exatamente o mesmo. O padrão repete-se em várias frentes:
- Preferem ler a ouvir ou ver um vídeo sobre o mesmo conteúdo.
- Tomam notas extensas de forma natural, mesmo quando não são estritamente necessárias para recordar algo.
- Organizam as suas ideias melhor por escrito do que mentalmente ou em voz alta.
O modelo VARK relaciona este estilo com reescrever a informação com as próprias palavras, elaborar listas e resumos hierarquizados, e manter um caderno de estudo ativo, não apenas como registo mas como ferramenta de pensamento enquanto se aprende.
Escrever para transformar a experiência em aprendizagem real
O investidor Ray Dalio resume no seu livro Principles: Life and Work (2017) uma fórmula que aplicou ao longo de toda a sua carreira: dor mais reflexão é igual a progresso. Sempre que algo lhe corria mal, obrigava-se a escrever o que tinha acontecido e que princípio geral podia daí extrair, em vez de se limitar a sentir a frustração e a seguir em frente sem mais. Com os anos, esse hábito de pôr por escrito as suas reflexões transformou-se num arquivo de princípios que passou a guiar as suas decisões. É praticamente o mesmo mecanismo que faz funcionar bem o estilo leitor-escritor: a escrita não é apenas um registo do que se aprendeu, é a própria ferramenta com que se produz a aprendizagem. Reescrever com as tuas palavras o que correu mal, ou o que entendeste de um tema novo, cumpre essa mesma função de transformar uma experiência solta num princípio reutilizável.
Porque é que reescrever funciona melhor do que reler
Os psicólogos Fergus Craik e Robert Lockhart propuseram uma distinção que explica porque é que este estilo funciona tão bem: nem toda a informação é processada com a mesma profundidade. Reler um parágrafo várias vezes é o que eles chamam repetição de manutenção: mantém a informação ativa durante algum tempo, mas dificilmente deixa marca depois. Reescrevê-lo com as tuas próprias palavras, pelo contrário, é repetição elaborativa: obriga a relacionar a ideia nova com o que já sabes, a decidir o que é importante e a reformulá-lo, e essa profundidade extra é precisamente o que facilita recuperá-lo depois da memória a longo prazo.
Por isso serve de tão pouco a este estilo “passar os olhos pelos apontamentos” na véspera de um exame: sem a reformulação ativa, a informação mal chegou a ser processada em profundidade. O esforço real de transformar uma ideia nas tuas próprias palavras, não a quantidade de vezes que a olhas, é o que a fixa.
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Perguntas frequentes
O que é o estilo de aprendizagem leitor-escritor?
A tendência para reter melhor a informação quando é lida e organizada por escrito, sob a forma de notas, listas ou esquemas de texto, mais do que em áudio ou imagens.
Que estratégias de estudo se associam a este estilo?
O modelo VARK relaciona este estilo com tomar notas extensas, reescrever a informação com as próprias palavras e elaborar resumos ou listas, embora o resultado possa variar consoante a pessoa e a matéria.
É o estilo mais comum em ambientes académicos tradicionais?
Sim, em parte porque grande parte do ensino formal se apoia em texto escrito, o que pode favorecer este estilo sobre outros em exames e avaliações convencionais.