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Estilo de aprendizagem

Estilo de aprendizagem auditivo: aprender a ouvir

Por Elena Personaramic4 min de leitura
Ilustração minimalista com ondas sonoras representando o estilo de aprendizagem auditivo

Estilo auditivo: quando ouvir fixa melhor a informação do que ler

Quem tem o estilo auditivo como predominante entende e retém melhor um tema quando o ouve explicado, seja numa aula, numa conversa ou num áudio, em comparação com lê-lo em silêncio.

Costumam recordar com detalhe conversas e explicações orais, mesmo semanas depois de as terem ouvido. Não é raro que convivam com traços de outros estilos, como o visual ou o cinestésico, em proporções diferentes consoante a matéria.

O processo importa tanto como o canal

O canal por onde preferes receber a informação (ouvir, neste caso) é só uma parte do mapa: outros modelos fixam-se numa pergunta diferente, em que fase do processo de aprender te sentes mais confortável. Ouvir uma explicação e comentá-la com outros liga-se bem à fase de “observação reflexiva” do ciclo de aprendizagem experiencial de David Kolb, rever e interpretar uma experiência antes de tirar conclusões, a mesma que Peter Honey e Alan Mumford associaram depois ao seu estilo “reflexivo”. As duas abordagens não competem: podes ser auditivo em como processas a informação e, ao mesmo tempo, mais ativo ou mais teórico em como enfrentas o processo de aprender no seu conjunto.

Sinais para o reconhecer

Duas pessoas podem assistir à mesma palestra e sair com recordações muito diferentes: quem tem este estilo costuma reconstruir depois, quase palavra por palavra, uma frase que lhe chamou a atenção, enquanto o mesmo conteúdo lido por escrito lhe escapa com mais facilidade. O padrão repete-se em várias frentes:

  • Entendem melhor um tema ouvido do que lido, mesmo que o conteúdo seja exatamente o mesmo.
  • Recordam conversas com precisão, por vezes incluindo o tom ou as palavras exatas usadas.
  • Repetem informação em voz alta de forma espontânea como estratégia de memorização.

O modelo VARK relaciona este estilo com explicar em voz alta, ouvir podcasts ou audiolivros, e a discussão oral em grupo como formatos que favorecem a retenção, embora o resultado possa variar consoante a pessoa e a matéria.

Ouvir bem também se treina

É fácil dar por certo que reter uma explicação oral é simplesmente um dom, algo que a uns corre melhor de forma inata e a outros não. A psicóloga Carol Dweck, no seu livro Mindset: The New Psychology of Success (2006), documentou algo diferente: quem acredita que uma capacidade se pode desenvolver com prática tende a melhorar mais do que quem a vê como um talento fixo, a base do que ela chama mentalidade de crescimento. A mesma ideia aplica-se a este estilo: a capacidade de reconstruir uma explicação oral com precisão, ou de dar sentido a uma conversa complexa enquanto ela acontece, melhora quando se exercita de forma ativa, por exemplo resumindo em voz alta o que se acabou de ouvir em vez de apenas ouvir de forma passiva. Se uma palestra longa te escapa à primeira, isso não diz nada de definitivo sobre o teu estilo de aprendizagem, diz que esse músculo em concreto ainda tem margem para se treinar.

Porque é que a linguagem falada tem uma “via” própria no cérebro

As experiências do neurocientista Roger Sperry com pacientes a quem tinha sido seccionado cirurgicamente o corpo caloso (o feixe de fibras que liga os dois hemisférios) revelaram algo muito concreto sobre a linguagem: quando se projetava uma palavra de forma a chegar apenas ao hemisfério esquerdo do paciente, este conseguia lê-la e dizê-la em voz alta sem problema. Quando a mesma palavra chegava apenas ao hemisfério direito, o paciente era incapaz de a nomear, embora em muitos casos conseguisse apontar para o objeto correto com a mão esquerda. Este trabalho, que lhe valeu o Prémio Nobel em 1981, confirmou que a fala e o processamento da linguagem oral dependem de forma muito marcada do hemisfério esquerdo.

Isto não significa que exista um “cérebro auditivo” independente do resto: significa que o canal por onde melhor entra a informação falada (o ouvido) desagua num circuito cerebral bastante especializado em organizar a linguagem de forma lógica e sequencial, o mesmo que intervém quando resumes em voz alta ou repetes uma ideia para a fixar. Ouvir bem, nesse sentido, ativa uma maquinaria muito concreta, não apenas uma preferência.

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Perguntas frequentes

O que é o estilo de aprendizagem auditivo?

A tendência para reter melhor a informação quando é ouvida explicada em voz alta, em conversa ou em formato áudio, mais do que em texto ou imagens.

Que estratégias de estudo se associam a este estilo?

O modelo VARK relaciona este estilo com formatos como explicar em voz alta, ouvir podcasts ou audiolivros, e a discussão oral em grupo, embora o resultado possa variar consoante a pessoa e a matéria.

Repetir em voz alta ajuda mesmo a memorizar?

Segundo este modelo, para este estilo a verbalização ativaria um canal de processamento diferente do da leitura em silêncio, embora a evidência sobre estilos de aprendizagem em geral seja limitada e debatida.