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Estilo de aprendizagem

O que é o modelo de dominância cerebral de Herrmann?

Por Elena Personaramic4 min de leitura
Ilustração minimalista de quatro quadrantes de cores distintas à volta de um ponto central, representando o modelo de Herrmann

Nos anos setenta, o consultor Ned Herrmann, que na altura trabalhava em formação de quadros para a General Electric, fez a si próprio uma pergunta pouco habitual para a época: se o cérebro tem partes especializadas, porque não desenhar uma ferramenta que descreva como pensa cada pessoa a partir dessa especialização? O resultado foi um modelo que combina duas ideias da neurociência que já existiam separadamente.

Dois eixos, quatro quadrantes

A primeira ideia é a especialização hemisférica que Roger Sperry descreveu: o hemisfério esquerdo, mais ligado à lógica, à linguagem e ao pensamento sequencial; o direito, mais voltado para o visuoespacial, o intuitivo e o emocional. A segunda é o cérebro trino do neurocientista Paul MacLean, que distingue entre um processamento mais «cortical» (racional, abstrato) e outro mais «límbico» (emocional, ligado às relações). Herrmann cruzou os dois eixos, hemisfério esquerdo/direito e cortical/límbico, para obter quatro quadrantes, cada um com uma forma diferente de pensar, aprender e trabalhar:

  • Cortical esquerdo (lógico): analítico, baseado em factos, quantitativo. Pensa em termos de dados, lógica e causa-efeito.
  • Límbico esquerdo (organizador): sequencial, planeador, detalhista. Precisa de ordem, estrutura e passos claros.
  • Límbico direito (interpessoal): baseado em sentimentos, expressivo, sensível ao contexto emocional de uma situação.
  • Cortical direito (holístico): intuitivo, integrador, confortável com a ambiguidade e as ideias grandes antes do que com o detalhe.

Aprender segundo cada quadrante

A utilidade prática do modelo surge quando se traduz na forma como cada perfil prefere aprender. Alguém com forte preferência pelo quadrante lógico entenderá melhor um tema se primeiro lhe derem os dados e o porquê. Alguém do quadrante organizador terá melhor desempenho com um programa claro, passo a passo, sem pontas soltas. O perfil interpessoal aprenderá com mais facilidade discutindo a ideia com outras pessoas e ligando-a à sua própria experiência. E o perfil holístico preferirá começar pela imagem geral em vez do detalhe, para depois encaixar as peças.

Quase ninguém encaixa num único quadrante de forma pura: o instrumento que Herrmann desenvolveu, o HBDI, situa cada pessoa num ponto do mapa, quase sempre com preferência marcada por dois quadrantes e menos pelos outros dois, não numa casa fechada. Isto encaixa com um princípio que se repete em quase todos os modelos sérios de estilos de aprendizagem: não descrevem tipos fixos, mas sim um perfil de preferências que pode conviver com traços de outros quadrantes consoante a tarefa. É habitual, além disso, que a mesma pessoa se apoie num quadrante diferente consoante o terreno: talvez muito organizada na sua vida profissional e muito mais interpessoal e intuitiva na sua vida pessoal, sem que isso seja nenhuma contradição.

Um mesmo desafio, quatro formas de o abordar

Imagina quatro pessoas diferentes perante a mesma tarefa: aprender a usar uma ferramenta informática nova no trabalho. A de perfil lógico vai querer primeiro entender como funciona por dentro e porque foi desenhada assim, antes de tocar em nada. A de perfil organizador vai procurar um manual passo a passo e vai sentir-se desconfortável se tiver de improvisar sem um. A de perfil interpessoal vai aprender melhor pedindo a um colega que lhe ensine pessoalmente, tirando dúvidas à medida que avança. E a de perfil holístico provavelmente vai preferir mexer diretamente na ferramenta, sem ler nada antes, e entender a lógica geral a partir da experiência. Nenhuma forma é superior às outras: cada uma é simplesmente mais eficiente para a pessoa que a usa.

De onde surgiu este modelo

Herrmann desenvolveu o seu modelo enquanto trabalhava em formação de quadros na General Electric, nos anos setenta, à procura de uma ferramenta que ajudasse a entender porque é que o mesmo programa de formação funcionava muito bem com uns colaboradores e deixava outros indiferentes. Com o tempo, a Tecnologia Herrmann de Dominância Cerebral estendeu-se muito para além da empresa que a viu nascer, até se tornar numa das referências habituais, ao lado do modelo de Kolb e do de Honey e Mumford, na hora de explicar porque é que o mesmo conteúdo pode ser ensinado de formas muito diferentes consoante a quem se dirige.

Porque se liga a outros modelos do site

O quadrante límbico esquerdo, centrado na ordem e na sequência, partilha terreno com o que procuram as pessoas com estilo leitor-escritor ao organizarem o seu conhecimento por escrito. O quadrante cortical direito, mais intuitivo e menos ligado ao detalhe verbal, tem pontos em comum com quem aprende melhor fazendo do que lendo instruções passo a passo. Nenhum dos dois modelos mede exatamente a mesma coisa (um centra-se no canal de entrada, o outro no estilo de processamento), mas ambos partem da mesma base real: o cérebro não processa a informação de uma única forma, e conhecer a tua forma preferida de o fazer é, sobretudo, uma ferramenta de autoconhecimento, não uma etiqueta definitiva.

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Perguntas frequentes

Em que se distingue o modelo de Herrmann do VARK?

O VARK descreve o canal sensorial por onde melhor entra a informação (ver, ouvir, ler, fazer). O modelo de Herrmann descreve, em vez disso, o estilo de pensamento com que se processa essa informação depois de recebida: analítico, organizado, interpessoal ou holístico. São perguntas diferentes, não versões rivais da mesma coisa.

O que é o 'cérebro trino' de MacLean?

Um modelo proposto pelo neurocientista Paul MacLean que distingue três estruturas cerebrais segundo a sua antiguidade evolutiva: o cérebro reptiliano (funções básicas de sobrevivência), o sistema límbico (emoções) e o neocórtex (raciocínio abstrato). Herrmann retirou daqui a distinção entre processamento límbico e cortical para o seu próprio modelo.

Como se mede o modelo de Herrmann?

Com o instrumento HBDI (Herrmann Brain Dominance Instrument), um questionário que situa cada pessoa num ponto do mapa de quatro quadrantes, normalmente com preferência por mais de um, não numa única casa fechada.

É um modelo com muito apoio científico?

Apoia-se em descobertas reais da neurociência (a especialização hemisférica de Sperry, o cérebro trino de MacLean), mas, como acontece com a maioria dos modelos de estilos de aprendizagem, a sua aplicação prática no ensino tem um respaldo empírico limitado. O seu valor principal é de autoconhecimento sobre como preferes pensar, não um diagnóstico fechado.