Personaramic
Estilo de aprendizagem

Estilo de aprendizagem visual: aprender a ver

Por Elena Personaramic4 min de leitura
Ilustração minimalista com um círculo concêntrico representando o estilo de aprendizagem visual

Estilo visual: quando uma imagem vale mais do que a explicação

Quem tem o estilo visual como predominante retém melhor a informação quando a consegue ver representada: um esquema, um gráfico, um mapa mental. O texto ou a explicação oral sozinhos, sem nenhum apoio gráfico, custam-lhe mais a recordar com precisão.

Não se trata de uma preferência estética: é uma diferença real em como processam e fixam a informação na memória. É habitual, além disso, que se combine com outros estilos: muitas pessoas visuais são também fortes no estilo leitor-escritor, tomando notas que incluem esquemas e não apenas texto corrido.

Como se manifesta este estilo

Alguém com este estilo, a estudar por exemplo o sistema circulatório, provavelmente recorda melhor um diagrama das câmaras do coração e o percurso do sangue do que o mesmo conteúdo descrito num parágrafo de texto corrido, mesmo que diga exatamente o mesmo. É um exemplo pequeno de um padrão mais geral:

  • Recordam melhor o que viram do que o que apenas ouviram ou leram em texto corrido.
  • Desenham ou esquematizam de forma espontânea quando tentam explicar ou entender algo complexo.
  • Visualizam mentalmente a informação como estratégia natural de memorização.
  • Notam a diferença sobretudo com conteúdo abstrato: um conceito sem apoio gráfico custa-lhes mais a fixar do que um com um diagrama, por simples que seja.

O modelo VARK relaciona este estilo com mapas mentais, esquemas, o uso de cor para categorizar informação e vídeos com apoio visual, embora o resultado possa variar consoante a pessoa e a matéria.

Não basta olhar, é preciso organizar o que se vê

Este estilo descreve o canal por onde preferes receber a informação, mas há modelos que se fixam noutra pergunta diferente: em que fase do processo de aprender te sentes mais confortável. No ciclo de aprendizagem experiencial de David Kolb, esquematizar e visualizar uma ideia liga-se bem à fase de “conceptualização abstrata” (transformar uma experiência concreta num modelo ou teoria geral), a mesma que Peter Honey e Alan Mumford associaram depois ao seu estilo “teórico”. As duas abordagens não competem: podes ser visual em como processas a informação e, ao mesmo tempo, mais prático ou mais reflexivo em como enfrentas o processo de aprender no seu conjunto.

Fazer bons esquemas também se treina

É fácil pensar que organizar bem a informação num mapa mental ou num diagrama claro é um dom que uns têm e outros não. A psicóloga Carol Dweck, no seu livro Mindset: The New Psychology of Success (2006), documentou algo diferente: as pessoas que acreditam que uma competência se pode desenvolver com esforço e prática tendem a melhorar mais e a desistir menos do que quem a vê como um talento fixo com que se nasce ou não, a ideia central da mentalidade de crescimento. Essa mesma ideia aplica-se aqui: fazer esquemas claros, escolher bem o que destacar visualmente, desenhar um mapa mental que ajude mesmo a entender um tema, é uma competência que melhora com a prática, não um dom reservado a quem “tem jeito” para o visual. Se os teus primeiros esquemas saem desorganizados, isso não diz nada sobre o teu estilo de aprendizagem, diz que ainda te falta prática a organizá-los.

Um estudo real com alunos do sétimo ano

Uma equipa de investigadores da Universidade Técnica de Ambato (Pazán Torres e colaboradores, 2017) pôs esta ideia à prova com 40 alunos do sétimo ano, entre os 10 e os 14 anos. Durante 21 dias aplicaram atividades desenhadas para estimular o estilo visual: encontrar diferenças entre imagens, resolver labirintos, construir mapas mentais, memorizar objetos observados. Antes e depois do programa, mediram com o mesmo teste a capacidade de cada aluno para reter informação a longo prazo.

O resultado, calculado com um teste estatístico Z, foi claro: a memória a longo prazo melhorou de forma significativa após as três semanas de atividades visuais, o suficiente para descartar que a melhoria se devesse ao acaso. O próprio estudo aponta o porquê provável: quanto mais profunda é a forma como se processa uma imagem (não apenas olhá-la, mas relacioná-la ativamente com o que já se sabe), mais fácil é recuperá-la depois da memória. Desenhar um esquema não é apenas “torná-lo bonito”: é, literalmente, uma forma de o fixar melhor.

Queres saber mais sobre ti?

Descobre o teu resultado com um dos nossos testes relacionados.

Perguntas frequentes

O que é o estilo de aprendizagem visual?

A tendência para reter melhor a informação quando é apresentada em imagens, esquemas, diagramas ou qualquer apoio gráfico, mais do que em texto ou explicação oral.

Que estratégias de estudo se associam a este estilo?

O modelo VARK relaciona este estilo com mapas mentais, diagramas, cores para categorizar informação e vídeos com apoio visual, embora o resultado possa variar consoante a pessoa e a matéria.

É incompatível com outros estilos?

Não. É habitual combinar o estilo visual com o leitor-escritor, por exemplo, tomando notas que incluem esquemas e não apenas texto corrido.