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Estilo de vida e atitudes

Perspetiva futura: organizas o teu presente em função das tuas metas

Por Ramón Personaramic3 min de leitura
Ilustração minimalista de uma ampulheta com a faixa do futuro destacada

Perspetiva futura: o que fazes hoje olha para diante

Quase nada do que fazes hoje carece de uma razão que aponta mais para diante. A perspetiva futura, dentro da investigação sobre orientação temporal, descreve pessoas cujo presente está organizado em função de metas, consequências e planos a médio ou longo prazo.

O quadro da perspetiva temporal, aplicado ao futuro

A investigação de Philip Zimbardo e John Boyd sobre perspetiva temporal descreve como as pessoas ancoram de forma diferente a sua vida emocional e as suas decisões: no teu caso, no futuro. Planeias com antecedência e estás disposto/a a renunciar a algo agora se isso te aproximar de uma meta futura. Esta orientação, segundo a própria investigação, associa-se a melhores resultados académicos e financeiros a longo prazo.

Como se manifesta no dia a dia

  • Pensas com frequência em onde queres estar daqui a vários anos, não apenas no passo imediato.
  • Priorizas a poupança de tempo, dinheiro ou esforço a pensar no futuro, mesmo quando isso implica renunciar a algo agora.
  • Tomas decisões avaliando as suas consequências para além do curto prazo, quase de forma automática.
  • Organizas o teu presente à volta de objetivos concretos, mais do que à volta de como te sentes no momento.

O custo de uma orientação para o futuro muito marcada

O risco real deste perfil é que uma orientação para o futuro muito intensa te pode tirar prazer do presente, e até gerar ansiedade quando o planeamento se torna excessivo ou rígido. Quando cada decisão é avaliada apenas pelas suas consequências futuras, o presente deixa de ter valor próprio, e isso tem um custo emocional real, não apenas teórico.

Como combiná-lo melhor com o presente

Reservar momentos de presença plena, sem agenda nem objetivo associado, pode funcionar como complemento a esta forma de te organizares, não como uma renúncia a ela. Distinguir entre planear e controlar também pode ajudar: o planeamento costuma impulsionar o avanço, enquanto o controlo excessivo pode gerar ansiedade quando o planeado não corre exatamente como esperado. A capacidade de projeção deste perfil costuma ser mais útil em decisões onde realmente importa a longo prazo (como a poupança, a carreira ou a saúde) do que aplicada por hábito a todas as áreas da vida, e a perspetiva de alguém mais centrado no presente pode trazer um lembrete útil de que nem tudo precisa de se justificar pela sua utilidade futura.

Criar o futuro duas vezes

Stephen Covey, em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes (1989), dedica o segundo hábito, “começar com um fim em mente”, a um princípio que descreve bem a tua forma de te organizares: todas as coisas são criadas duas vezes, primeiro uma criação mental e depois uma criação física. Antes de algo existir de facto (um projeto, uma carreira, uma etapa de vida) já existe como imagem mental que usas como referência para avaliar cada decisão do presente. Covey propõe que a aplicação fundamental deste hábito é precisamente essa: usar hoje uma imagem clara de para onde vais como quadro para examinar tudo o resto, em vez de deixar que o dia a dia se organize sozinho. É, no essencial, a mesma lógica que segues de forma natural: não adias por preguiça nem por rigidez, mas porque já tens construída mentalmente a versão futura da decisão, e ages em conformidade com ela. A diferença com a rigidez é que essa imagem mental, segundo Covey, deve ser revista e atualizada, não fixada uma vez e esquecida.

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Perguntas frequentes

A orientação para o futuro prevê melhores resultados?

A investigação associa-a a melhores resultados académicos e financeiros a longo prazo, ainda que não garanta bem-estar se se tornar excessiva ou rígida.

Porque me custa desfrutar do presente sem pensar no que vem depois?

Porque a tua vida está organizada em função de metas e consequências futuras: é a tua forma natural de dar sentido às decisões do dia a dia.

É um problema planear tanto?

Só se te gerar ansiedade ou te impedir de desfrutar do momento presente. Na justa medida, é um recurso real para alcançar objetivos a longo prazo.

Posso combinar esta perspetiva com mais presença no momento?

Sim, e costuma ser precisamente o ajuste que mais bem-estar traz a este perfil: não exige renunciar ao planeamento, apenas reservar espaço deliberado para o presente.