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Autoconhecimento e bem-estar

Perfecionismo em relação aos outros: quando a tua vara de medir é a que usas com todos

Por Rafa Personaramic3 min de leitura
Ilustração minimalista com as palavras PERFECIONISMO EM RELAÇÃO AOS OUTROS numa insígnia geométrica

Perfecionismo em relação aos outros: a mesma exigência, dirigida para fora

O perfecionismo em relação aos outros é a segunda das três direções que os psicólogos Paul Hewitt e Gordon Flett descreveram: em vez de (ou além de) exigires a ti próprio, partes do princípio de que quem te rodeia devia funcionar com o mesmo nível de cuidado, esforço e atenção ao detalhe que tu aplicas.

Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se no modelo tridimensional do perfecionismo de Hewitt e Flett e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação nem a intervenção de um profissional de saúde mental.

De onde vem: exigência dirigida para fora

Ao contrário do perfecionismo autoexigente, aqui o foco não está tanto na própria autocrítica como na expectativa depositada nos outros. Não é necessariamente hostilidade nem uma vontade de controlar; muitas vezes surge, simplesmente, de assumir sem questionar que o próprio nível de exigência é o nível normal, e que qualquer desvio dele é uma carência do outro, não uma diferença legítima de critério.

Esse pressuposto, o de que a própria vara é a vara universal, é precisamente o que gera atrito, mesmo quando a intenção de fundo não é de todo crítica.

Como se nota nas tuas relações

  • Deteção imediata do descuido: notas de imediato quando alguém não pôs o mesmo cuidado que tu porias, ainda que o resultado seja perfeitamente funcional.
  • Dificuldade em delegar: desconfias de que uma tarefa importante fique bem resolvida se não a supervisionares de perto.
  • Frustração recorrente: custa-te não te frustrares quando outra pessoa resolve algo “à sua maneira” em vez de à tua.
  • Sobrevalorização de quem cumpre: as poucas pessoas que atingem o teu nível de exigência tornam-se quase uma exceção muito valorizada.

O teu desafio de crescimento

O passo mais útil não é baixar a exigência, mas torná-la explícita antes de avaliar, não depois. Dizer claramente o que esperas de uma tarefa, em vez de o dares por subentendido, reduz boa parte do atrito, porque transforma uma expectativa implícita (e por isso invisível para o outro) num acordo real que ambas as partes podem cumprir ou negociar.

Também ajuda lembrar, de forma consciente, que o teu nível de exigência é teu: legítimo, mas não universal. Outras pessoas podem chegar a resultados igualmente válidos por caminhos diferentes daquele que tu escolherias, e essa diferença nem sempre é uma falha a corrigir.

O acordo de não fazer suposições, aplicado a exigir dos outros

Em Os Quatro Compromissos (1997), um livro de desenvolvimento pessoal muito popular inspirado na sabedoria tolteca, Miguel Ruiz propõe como um dos seus quatro princípios “não faças suposições”: comunicar com clareza o que esperas, em vez de partir do princípio de que a outra pessoa já o sabe ou devia sabê-lo. É praticamente uma descrição exata do ponto cego deste perfil. Quando alguém não cumpre o teu nível de exigência, a causa mais frequente não é importar-se menos com o resultado, mas nunca ter chegado a conhecer com precisão o que esperavas dele. Ruiz não propõe isto como forma de baixar os teus padrões, mas de deixar de exigir um resultado que nunca pediste explicitamente: pedi-lo com clareza, antes de julgar que não foi cumprido, é o ajuste concreto que este acordo propõe.

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Perguntas frequentes

É o mesmo que ser um chefe ou parceiro exigente?

Relaciona-se, mas a origem é diferente: não é exigência arbitrária, é a mesma vara que usas contigo próprio transferida para fora, o que não a torna menos difícil de suportar para o outro.

Porque gera tensão sem eu me propor isso?

Porque o teu nível de exigência se torna, sem que o decidas conscientemente, na referência com que julgas os outros, e poucas pessoas a partilham de forma natural.

Posso continuar a ter padrões elevados sem gerar atrito?

Sim, se explicitares as expectativas antes de avaliar o resultado, em vez de partires do princípio de que a outra pessoa já sabia o que esperavas.

Este resultado é um diagnóstico?

Não. É uma aproximação orientativa e divulgativa, não uma escala clínica validada.