Resiliência alta: recuperares-te com relativa rapidez perante a adversidade
Resiliência alta: adaptares-te sem ficares preso à dificuldade
Uma resiliência alta descreve uma capacidade atual, notável, de te manteres e recuperares perante a adversidade: adaptas-te com relativa rapidez aos contratempos e, com frequência, encontras algum tipo de sentido mesmo nas situações mais difíceis. Não significa isto que os problemas deixem de doer ou de custar; significa apenas que a tua forma de os atravessar tende a ser mais funcional do que a de outras pessoas em circunstâncias parecidas.
Nota de responsabilidade: Este artigo apoia-se na investigação sobre resiliência psicológica, uma área consolidada da psicologia do bem-estar, e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde mental.
De onde vem: não é um traço, é uma construção
Um resultado constante da investigação sobre resiliência é que esta não funciona como um traço de personalidade fixo com que umas pessoas nascem e outras não, ao contrário do que por vezes se pensa quando se diz que alguém “é forte por natureza”. Sustenta-se, sobretudo, num conjunto de recursos concretos e treináveis, quer dizer, aspetos que se podem trabalhar e melhorar ao longo do tempo: redes de apoio social reais, ou seja, pessoas com quem realmente se pode contar e não apenas conhecidos superficiais; capacidade de encontrar sentido mesmo em experiências adversas, isto é, conseguir ver algum tipo de aprendizagem ou propósito mesmo numa situação dolorosa; e um estilo de enfrentamento ativo perante os problemas, em vez de puramente passivo, quer dizer, tomar medidas concretas em vez de apenas esperar que a situação melhore por si só.
Como se nota no dia a dia
- Recuperação relativamente rápida: o mal-estar após um contratempo não desaparece de repente, o que seria pouco realista esperar, mas também não se instala de forma prolongada durante semanas ou meses.
- Flexibilidade perante a mudança: adaptas-te a circunstâncias novas sem precisar de muito tempo de ajuste, por exemplo perante uma mudança inesperada de planos ou de rotina.
- Procura de sentido: tendes a encontrar alguma aprendizagem ou significado mesmo em experiências duras, sem que isso signifique negar ou minimizar o quão difíceis foram na altura.
- Apoio ativo: manténs e usas uma rede de apoio social real, não apenas teórica, nos momentos que o exigem, isto é, pedes ajuda quando precisas em vez de tentar resolver tudo sozinho.
Uma fotografia, não um teto
É importante não ler este resultado como um estado permanente e imune a tudo, uma espécie de blindagem definitiva contra as dificuldades da vida. A resiliência flutua com as circunstâncias: uma acumulação de dificuldades, uma perda significativa ou um período especialmente duro podem reduzi-la temporariamente em qualquer pessoa, incluindo uma com resiliência alta habitual. O que este teste capta é a tua situação atual, como uma fotografia tirada num determinado momento, não um teto fixo que se mantém para sempre. Precisamente por isso, manter ativos os hábitos que a sustentam, como o apoio social, a procura de sentido e o enfrentamento ativo, continua a ser relevante mesmo quando o resultado já é elevado, tal como continua a fazer sentido cuidar de um jardim mesmo depois de este florescer.
A última liberdade humana, segundo Viktor Frankl
O psiquiatra Viktor Frankl, sobrevivente de vários campos de concentração nazis, desenvolveu em O Homem em Busca de Sentido (1946) o que talvez seja a formulação mais radical daquilo que hoje entendemos por resiliência: sustentou que, mesmo despojada de tudo o resto, mesmo numa situação de sofrimento extremo, resta à pessoa uma última liberdade que ninguém lhe pode tirar, a de escolher a sua atitude perante as circunstâncias que lhe calham em sorte. Não estava a descrever uma técnica de autoajuda nem uma ideia abstrata, mas algo que observou em primeira mão no contexto mais extremo possível: quem conseguia encontrar algum tipo de sentido, ainda que minúsculo, em meio ao sofrimento, sustentava melhor o seu equilíbrio psicológico do que quem o perdia por completo. A resiliência alta que este teste descreve opera, a uma escala muito mais quotidiana e menos extrema, sobre esse mesmo princípio: a capacidade de encontrar uma margem de escolha e de sentido mesmo quando as circunstâncias externas não se podem mudar diretamente.
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Perguntas frequentes
Resiliência alta significa que nada me afeta?
Não. Significa que te recuperas com relativa rapidez após a dificuldade, não que a dificuldade não te afete de todo. A resiliência não é insensibilidade.
É um traço com que se nasce?
Não principalmente. A investigação descreve-a sobretudo como uma capacidade associada a fatores como o apoio social, o sentido percebido e o estilo de enfrentamento, não como um traço fixo de nascença, embora o processo concreto varie de pessoa para pessoa.
Posso deixar de ter resiliência alta em algum momento?
Sim. É uma fotografia do teu momento atual, não um estado permanente: circunstâncias muito duras ou acumuladas podem reduzi-la temporariamente em qualquer pessoa.
Este resultado é um diagnóstico?
Não. É uma aproximação orientativa e divulgativa, não uma escala clínica validada.