Sete coisas às quais podes estar 'vinculado' sem saberes, e nenhuma é uma pessoa
Sete coisas às quais podes estar “vinculado” sem saberes
Quando se fala de apego, pensa-se quase sempre em relações românticas. Mas Walter Riso, em «Desapegar sem Anestesia», descreve casos concretos de pacientes cujo apego mais significativo não tinha nada a ver com outra pessoa. Eis sete exemplos que o autor relata.
Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se em casos descritos no livro de Walter Riso e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação, o diagnóstico nem a intervenção de um profissional de saúde mental.
1. A aprovação social
Riso descreve pacientes cuja principal fonte de mal-estar não era uma relação concreta, mas a necessidade constante de aprovação por parte dos outros em geral, ao ponto de organizarem decisões importantes da vida em função do que “os outros” poderiam pensar.
2. Um colar de pérolas
Um dos exemplos mais curiosos de Riso é o de uma paciente que sentia que um determinado colar de pérolas “mudava” a sua personalidade quando o usava, tornando-a mais segura e mais capaz. O apego, neste caso, não era à joia em si, mas ao poder simbólico que lhe tinha sido atribuído.
3. O solário
Riso relata o caso de uma pessoa com uma dependência comportamental de bronzeamento artificial, ao ponto de sentir mal-estar significativo perante a simples ideia de deixar de o fazer, apesar de conhecer os riscos.
4. Estar sempre atualizado tecnologicamente
Outro exemplo é o de alguém para quem ter sempre o dispositivo mais recente se tinha tornado uma necessidade emocional, não uma preferência prática, um padrão relacionado com o que descrevemos em o psicólogo que descreveu o “vício no telemóvel” em 2012.
5. O trabalho
Riso descreve o caso de um executivo cuja identidade estava tão fundida com o seu cargo que só conseguiu questionar esse apego depois de o filho ser diagnosticado com um tumor cerebral, um acontecimento que o obrigou a reavaliar por completo as suas prioridades.
6. Uma tradição cujo motivo se esqueceu
Riso conta a história, com tom de parábola, de um guru que atava o seu gato a um poste antes de meditar para que o animal não o incomodasse. Gerações depois, os seus discípulos continuavam a atar um gato ao poste antes de meditar, sem já se lembrarem do motivo original, apegados ao ritual muito depois de a sua função ter desaparecido.
7. O medo de errar
Por último, Riso descreve o caso de uma jovem brilhante cujo medo de cometer erros a paralisava em várias áreas da vida, até se descobrir que tinha dislexia não diagnosticada. O que parecia perfeccionismo era, na realidade, uma estratégia para esconder uma dificuldade que nunca tinha sido identificada nem nomeada.
O que têm estes sete casos em comum
Em nenhum destes exemplos o apego tinha origem numa relação romântica, e ainda assim todos partilhavam a mesma estrutura: algo externo, um objeto, um hábito, uma crença ou uma identidade, tinha adquirido um peso emocional desproporcionado. Riso não propõe eliminar todos os apegos, mas torná-los visíveis, para que cada pessoa possa decidir de forma consciente quais lhe fazem sentido manter.
Fontes
Riso, W. (2012). Desapegar sin anestesia. Editorial Planeta.
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Perguntas frequentes
Só se pode estar 'vinculado' a pessoas?
Não. Walter Riso descreve, em 'Desapegar sem Anestesia', vários tipos de apego que nada têm a ver com relações românticas: objetos, hábitos, rotinas ou até à ideia de nunca errar.
O que têm em comum estes sete exemplos?
Em todos os casos, algo externo (um objeto, um hábito, uma crença) adquire um peso emocional desproporcionado, ao ponto de a pessoa organizar parte da sua vida à volta disso sem se aperceber.
Este tipo de apego é sempre prejudicial?
Não necessariamente, mas Riso propõe reconhecê-lo como um primeiro passo, para poder decidir de forma consciente se esse peso emocional faz sentido, em vez de o manter por inércia.