Motivação intrínseca: quando te move o interesse, não a recompensa
A motivação intrínseca move-te pelo interesse e pelo sentido da própria tarefa, mais do que pela recompensa externa que possa trazer.
Quando algo te importa de verdade, continuas em frente ainda que ninguém esteja a valorizar o esforço nesse momento.
As três necessidades que descreve a Teoria da Autodeterminação
Os psicólogos Edward Deci e Richard Ryan desenvolveram em 1985 a Teoria da Autodeterminação para explicar precisamente esta diferença: propõem que a motivação intrínseca surge quando se satisfazem três necessidades psicológicas básicas: autonomia (sentir que decides tu como fazer as coisas), competência (notar que progrides e domínios a tarefa) e vínculo (sentires-te ligado às pessoas para quem trabalhas ou com quem trabalhas). Quando estas três peças estão presentes, o trabalho sustenta-se por si só, sem precisar de um empurrão externo constante.
Como se nota este perfil
- O esforço mantém-se ainda que ninguém esteja a ver: não depende de um chefe presente nem de uma avaliação iminente.
- A curiosidade por melhorar surge de forma espontânea, sem que ninguém tenha de a pedir.
- Custa mais tolerar tarefas sem qualquer sentido percebido, ainda que bem pagas.
- O reconhecimento externo agradece-se, mas não é o que sustenta o esforço dia após dia.
Quando o contexto deixa de sustentar o interesse
O ponto cego deste perfil é dar por certo que o interesse genuíno basta sempre: em ambientes onde a tarefa perde sentido (processos muito rígidos, pouca autonomia real), a motivação intrínseca pode cair com força, e por vezes custa reconhecer a tempo que o problema não é a própria pessoa, mas sim o contexto. Rever de vez em quando se continuam presentes essas três condições (autonomia, progresso, sentido) é algo que, segundo esta abordagem, poderia ajudar a notar o desgaste antes de este se agravar.
Porque é que este perfil rende melhor como jardim do que como máquina, segundo Stanley McChrystal
O general Stanley McChrystal, em Team of Teams, descreve uma mudança de mentalidade que encaixa bem com este perfil: em vez de dirigir cada passo de cima, a tarefa de quem lidera passa a ser criar as condições (confiança, propósito partilhado, autonomia real) para que as pessoas dêem o seu melhor por iniciativa própria, “liderar como um jardineiro” em vez de operar uma máquina. A motivação intrínseca depende exatamente dessas mesmas condições: autonomia sobre como fazer o trabalho, sentido percebido na tarefa, progresso real. McChrystal avisa que esse tipo de ambiente exige mais disciplina de quem lidera, não menos: manter o propósito e a informação partilhados com clareza, para que a autonomia de cada pessoa não se transforme em desorientação. Para este perfil, a implicação é dupla: rende melhor em ambientes que oferecem de verdade essas condições, e apaga-se com mais facilidade do que outros perfis onde essas condições não existem, por bem pago ou reconhecido que seja o trabalho por fora.
Se no teu caso o motor principal são as metas, o reconhecimento ou os incentivos claros, revê o perfil de motivação extrínseca. Podes voltar ao teu resultado completo no teste Qual é o meu estilo de motivação no trabalho.
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Perguntas frequentes
A motivação intrínseca significa que o salário não importa?
Não. Importa como condição básica, ninguém trabalha de forma sustentada sem ela, mas uma vez satisfeita, o que sustenta o esforço dia após dia é o interesse pela tarefa, não um incentivo adicional.
Pode perder-se a motivação intrínseca por uma tarefa que antes agradava?
Sim. A investigação mostra que adicionar recompensas externas a uma tarefa que já se apreciava pode, paradoxalmente, reduzir o interesse genuíno por ela com o tempo.
O que precisa uma pessoa com este perfil para render bem?
Sobretudo três coisas: autonomia sobre como fazer o trabalho, sentir que está a progredir em algo que lhe importa, e perceber que a tarefa tem sentido além de cumprir um encargo.
É melhor do que a motivação extrínseca?
Não é melhor nem pior, é diferente. O habitual é combinar as duas: a motivação mista é, de facto, o padrão mais comum.