Motivação mista: o padrão mais habitual de motivação laboral
Sustenta-te tanto o interesse genuíno como o reconhecimento externo. É, de facto, o padrão mais habitual: quase ninguém funciona com um único tipo de motivação.
Não há uma proporção fixa nem “correta” entre os dois: varia segundo a pessoa, a tarefa e o momento.
O padrão mais habitual, segundo a própria teoria
A Teoria da Autodeterminação de Edward Deci e Richard Ryan, que distingue entre motivação intrínseca (pelo interesse da tarefa) e extrínseca (pela recompensa que traz), não apresenta estes dois tipos como categorias puras e excludentes na vida real. A própria investigação posterior sobre motivação laboral descreve a combinação de ambas como o cenário mais comum: o interesse genuíno sustenta o esforço dia após dia, e as metas ou o reconhecimento externo trazem um impulso adicional nos momentos em que o interesse, por si só, não basta.
Como se reconhece esta combinação
- O esforço mantém-se tanto se há uma meta visível como se não há, ainda que um objetivo claro continue a ajudar.
- Aprecia-se genuinamente parte do trabalho, e ao mesmo tempo importa que esse esforço seja reconhecido.
- A proporção entre “por interesse” e “por resultado” muda segundo a tarefa concreta, sem que isso seja contraditório.
- Costuma ser um perfil resistente às quedas: se uma fonte de motivação falhar, a outra continua a sustentar o desempenho.
Identificar qual alavanca está a falhar
O ponto a vigiar neste perfil não é a falta de motivação, mas perder de vista qual das duas alavancas está a falhar quando o desempenho cai. Uma pergunta como “isto interessa-me pouco, ou simplesmente não estou a ver nenhum reconhecimento por o fazer bem?” poderia ajudar, em alguns casos, a identificar o que ajustar, em vez de assumir sem mais que o problema é de força de vontade.
Tornar visível o progresso: uma ponte entre os dois tipos de motivação
James Clear, em Hábitos Atómicos (2018), assinala que manter um registo visível do próprio progresso (algo tão simples como marcar num calendário os dias em que se cumpre um hábito) reforça o comportamento por si só: ver a cadeia de dias cumpridos torna-se uma pequena recompensa em si mesma. Para o perfil de motivação mista, esta ferramenta funciona como ponte entre as suas duas fontes de motivação ao mesmo tempo: por um lado alimenta o interesse genuíno, porque ver o próprio avanço é gratificante independentemente de qualquer meta externa, e por outro oferece precisamente o tipo de reconhecimento visível e mensurável de que a parte extrínseca deste perfil precisa para se manter ativa. Não é preciso um sistema complexo: uma lista de tarefas marcadas, um contador de dias seguidos ou um registo semanal breve pode bastar para dar forma tangível a um progresso que, de outro modo, ficaria apenas na sensação difusa de “estou a avançar”. Clear insiste em que esse pequeno ato de constatar o avanço, não apenas de o alcançar, é parte do que sustenta um hábito no tempo.
Se notares que no teu caso o interesse pela própria tarefa pesa claramente mais do que qualquer incentivo externo, revê o perfil de motivação intrínseca; se for ao contrário, o de motivação extrínseca. Podes voltar ao teu resultado completo no teste Qual é o meu estilo de motivação no trabalho.
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Perguntas frequentes
A motivação mista é um resultado indeciso ou pouco claro?
Não, é um perfil real e, de facto, o mais frequente: quase ninguém funciona com um único tipo de motivação a cem por cento, a maioria combina interesse próprio e reconhecimento externo em proporções diferentes.
É melhor ter motivação mista do que apenas um tipo?
Tende a ser mais resistente: se falhar uma fonte de motivação (por exemplo, desaparecer o incentivo externo), a outra continua a sustentar o esforço.
A proporção entre os dois tipos pode mudar segundo a tarefa?
Sim, é habitual: a mesma pessoa pode mover-se quase só por interesse num projeto e precisar de metas claras noutro, segundo o sentido que atribui a cada um.
É preciso fazer algo especial com este perfil?
Não especialmente, mas convém ter presentes ambas as alavancas: cuidar do interesse genuíno pelo que se faz e, ao mesmo tempo, fixar metas e reconhecimentos concretos quando o interesse por si só não basta.