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Forças de caráter

Virtude da temperança: mesura e autorregulação

Por Elena Personaramic3 min de leitura
Ilustração minimalista com um círculo e uma linha representando a virtude da temperança

A virtude da temperança: mesura perante o excesso

Agir com mesura quando o impulso empurra para o excesso, sem que isso seja repressão nem passividade: essa capacidade é o que Christopher Peterson e Martin Seligman agruparam sob a temperança na sua classificação da psicologia positiva (2004).

Quem se destaca nesta virtude costuma tomar melhores decisões a médio prazo, precisamente porque não age só a partir do impulso imediato.

As quatro forças que a compõem

  • Clemência e misericórdia: as mudanças que ocorrem em alguém ofendido ou magoado, através das quais a vontade de vingança ou de evitar o outro se transforma em atitudes mais benévolas e tolerantes. Não implica esquecer o dano, mas deixar de agir a partir do rancor.
  • Humildade/modéstia: a estimativa precisa, não subvalorizada, das próprias conquistas e méritos, deixando que falem por si em vez de os sublinhar. Inclui estar aberto a conselhos e ideias que contradizem o que se pensa.
  • Prudência: uma orientação prática para o próprio futuro: pensar nas consequências das decisões e resistir ao impulso de satisfazer uma meta a curto prazo à custa de um objetivo mais importante a longo prazo.
  • Autorregulação: a capacidade de governar as próprias ações, impulsos e emoções para se ajustar a um objetivo ou norma, em vez de responder de forma automática a cada estímulo interno ou externo.

Os seus sinais habituais

  • Reconhecem os seus erros sem os justificar em excesso, o que facilita reparar e seguir em frente.
  • Pensam nas consequências antes de agir por impulso, especialmente em decisões com efeitos duradouros.
  • Largam o rancor quando é o caso, sem que isso signifique negar o dano sofrido.
  • Deixam que as suas conquistas falem por si, sem necessidade de as sublinhar constantemente perante os outros.
  • Pedem opiniões que lhes possam contrariar, sem o tomar como um ataque ao seu critério.

Conhecer onde falha realmente o autocontrolo

Buckingham e Clifton, no mesmo Now, Discover Your Strengths (2001) já citado a propósito da virtude da humanidade, definem uma força como um desempenho consistente e quase excelente numa atividade concreta, não como um bom momento isolado. Aplicada à prudência e à autorregulação, essa definição sugere uma abordagem diferente da de tentar ter a mesma força de vontade em todas as frentes: conhecer com precisão em que situações concretas o próprio autocontrolo funciona de forma fiável e em quais falha quase sempre (uma hora do dia, um tipo de decisão, a presença de certas pessoas) permite construir estrutura à volta desses pontos fracos concretos, em vez de depender de força de vontade genérica sempre que aparecem. Os autores insistem que gerir assim uma fraqueza (delegando a decisão, mudando o ambiente, evitando a situação que a desencadeia) liberta energia para sustentar o autocontrolo onde realmente importa, em vez de a repartir por igual por todas as frentes com resultados medíocres em todas elas.

O que distingue a temperança da indecisão

Um nuance que Peterson e Seligman (2004) destacam é a pausa antes de decidir, sobretudo em decisões tomadas a quente ou sob pressão emocional: quem envia um e-mail zangado cinco minutos depois de ler algo que o incomodou raramente o redigiria da mesma forma uma hora depois. Essa margem não equivale a evitar decidir: a temperança, segundo este modelo, é decidir com critério em vez de por impulso, não adiar a decisão indefinidamente. Aceitar os próprios erros sem os dramatizar nem os minimizar, com a mesma simplicidade com que se corrige o rumo, fecha o mesmo padrão.

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Perguntas frequentes

Que forças inclui a virtude da temperança?

Quatro: clemência (perdão), humildade/modéstia, prudência e autorregulação perante os impulsos.

Temperança é a mesma coisa que passividade?

Não. É mesura consciente, não ausência de desejo ou de opinião: alguém temperante pode ter convicções firmes e ainda assim agir com moderação.

Como se relaciona com a autorregulação emocional?

Estão muito ligadas: a autorregulação emocional gere a intensidade de uma emoção concreta; a temperança é um padrão mais amplo de mesura no comportamento geral.

Humildade e baixa autoestima são a mesma coisa?

Não. A humildade, neste modelo, é a estimativa precisa (nem subvalorizada nem exagerada) das próprias conquistas e méritos, não uma opinião negativa de si próprio.