Virtude da humanidade: cuidar dos outros
A virtude da humanidade: cuidar do bem-estar alheio
Cuidar de quem tens perto, não só da comunidade em geral, é o fio que atravessa a humanidade: Christopher Peterson e Martin Seligman, na sua classificação da psicologia positiva (2004), agrupam sob esta virtude as forças centradas nas relações próximas e no cuidado dos outros.
Quem se destaca nesta virtude costuma cuidar de forma ativa do bem-estar de quem o rodeia, não só de forma reativa quando lhe pedem ajuda.
As três forças que a compõem
- Amor: a capacidade de valorizar e sustentar relações próximas com os outros, nas suas diferentes formas: o afeto por quem cuida de nós, o cuidado por quem depende de nós e o desejo de proximidade emocional, física e sexual do amor romântico.
- Bondade: uma orientação para o outro baseada em o reconhecer como merecedor de atenção, ajuda e respeito por direito próprio, não por obrigação nem por interesse. Traduz-se em comportamentos concretos de ajuda.
- Inteligência social: a capacidade de raciocinar sobre a informação emocional própria e alheia (motivações, sentimentos) e usá-la para te ajustares bem a diferentes situações sociais.
Sinais desta virtude no dia a dia
- Ajudam sem que lho peçam, notando quando alguém próximo precisa de apoio antes de o verbalizar.
- Compreendem bem o que motiva os outros, o que facilita relações mais fluidas e menos mal-entendidos.
- Cuidam do bem-estar alheio de forma genuína, não como estratégia social mas como preocupação real.
- Distinguem entre o círculo próximo e o resto: cuidam com intensidade de quem amam, mas também tratam com respeito quem não conhecem, sem precisarem de uma razão utilitária para isso.
Um talento que viaja: o exemplo da empatia
Em Now, Discover Your Strengths (2001), Marcus Buckingham e Donald Clifton (criadores do método StrengthsFinder da Gallup) contam o caso de Danielle, uma jornalista que deu um salto profissional radical para a terapia em cuidados paliativos. O que tornou possível essa mudança, aparentemente drástica, foi Danielle ter reconhecido com clareza que os seus talentos principais (a empatia e a capacidade de conduzir uma conversa difícil) continuariam igualmente valiosos num contexto completamente diferente do jornalismo. O ponto que os autores sublinham é que um talento como a empatia ou a inteligência social não está preso a um papel ou a uma relação concreta: é portátil, transporta-se de um contexto para outro conservando o seu valor, ainda que a atividade exterior mude por completo. Para quem se destaca nesta virtude, essa ideia tem uma aplicação prática direta: não é preciso encontrar a profissão ou o vínculo “perfeito” para poder exercer este talento, porque ele acompanha a pessoa onde quer que se aplique com atenção, seja a cuidar de um familiar, a liderar uma equipa ou a acompanhar alguém que atravessa um momento difícil.
Como se cultiva, segundo Peterson e Seligman
Peterson e Seligman (2004) destacam a ajuda concreta em relação à genérica: perguntar o que a outra pessoa realmente precisa, em vez de o presumir, é o que distingue um gesto de cuidado real de um simbólico. A isto acrescentam a leitura emocional (prestar atenção ao tom, aos gestos ou aos silêncios de alguém, não só às suas palavras) como base da inteligência social, e alertam para um limite necessário: esta virtude sustenta-se melhor quando não implica ignorar as próprias necessidades em troca das alheias.
Queres saber mais sobre ti?
Descobre o teu resultado com um dos nossos testes relacionados.
Perguntas frequentes
Que forças inclui a virtude da humanidade?
Três: amor (a capacidade de valorizar a proximidade com os outros), bondade e inteligência social: compreender o que motiva os outros.
Humanidade é a mesma coisa que ser condescendente?
Não. É cuidar genuinamente do bem-estar alheio, não colocar sistematicamente o outro à frente de ti ao ponto de não colocares limites.
Como se relaciona com a empatia?
Estão muito ligadas: a empatia é a compreensão do que o outro sente, enquanto esta virtude inclui também a vontade ativa de agir a partir dessa compreensão.
Que diferença há entre amor e bondade neste modelo?
O amor centra-se nos vínculos próximos e recíprocos (família, casal, amizade íntima); a bondade estende-se também a quem não faz parte desse círculo próximo, pelo simples facto de os reconhecer como merecedores de atenção e respeito.