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Inteligência emocional

Empatia: reconhecer o que os outros sentem

Por Elena Personaramic3 min de leitura
Ilustração minimalista com dois círculos sobrepostos representando a empatia

Empatia: compreender antes de responder

A empatia, dentro do modelo de inteligência emocional, é a capacidade de captar o estado emocional de outra pessoa mesmo quando não o verbaliza diretamente: um tom de voz, um silêncio mais longo do que o habitual, um gesto. Não é apenas “sentir o mesmo” que o outro, mas compreender a sua perspetiva com precisão.

É um componente que facilita imenso as relações, mas que também pode gerar desgaste se não vier acompanhado de uma boa autorregulação.

Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se no modelo de inteligência emocional de Goleman e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação, o diagnóstico nem a intervenção de um profissional de saúde mental.

Como se manifesta

  • Detetam o estado emocional do outro sem que lhes digam nada, a partir de sinais não verbais ou do contexto.
  • Colocam-se no lugar do outro com facilidade, mesmo perante pontos de vista muito diferentes do seu.
  • Ajustam a forma como comunicam consoante percebem como se sente a pessoa com quem falam.
  • Notam quando alguém diz “estou bem” sem estar, pelo tom ou pelo silêncio que acompanha a frase, mais do que pela frase em si.

Ler a emoção que está por trás da emoção

O psicólogo Leslie Greenberg, uma das referências da terapia focada nas emoções, constrói boa parte da sua abordagem à volta da sintonia empática: a capacidade de captar com precisão o que outra pessoa sente na realidade, mesmo quando o que mostra para fora é outra coisa. Greenberg distingue entre a emoção primária (a resposta mais direta ao que aconteceu), a secundária (uma reação a essa primeira emoção, por exemplo raiva por ter sentido medo) e a instrumental (a que alguém exprime, por vezes sem estar totalmente consciente disso, para conseguir um efeito em quem tem à frente), a mesma distinção que já vimos aplicada a nós próprios no nosso artigo sobre autoconsciência emocional.

Esta distinção é uma ferramenta prática de empatia do dia a dia. Quando alguém reage com uma raiva que parece desproporcionada, a pergunta útil não é só “o que se passa com ele?”, mas “o que pode estar por baixo desta raiva?”: muitas vezes a emoção visível é a secundária, e por trás dela há dor, medo ou vergonha que a outra pessoa não nomeou, talvez nem para si própria. Aprender a ler essa camada de fundo, sem aceitar apenas a reação superficial, é o que distingue uma empatia precisa de uma empatia superficial.

Fatores que a literatura associa a uma empatia mais precisa

  1. A emoção de fundo, não só a reação visível: o psiquiatra Norberto Levy, no seu conceito de “dupla reação”, descreve como a emoção que se mostra para fora costuma ser uma resposta a uma emoção anterior já vivida, não a reação original; perceber essa camada prévia ajuda a entender melhor o que se passa com a outra pessoa.
  2. A escuta sem preparar a resposta: a atenção plena durante a escuta associa-se, na literatura, a captar melhor o que a outra pessoa sente.
  3. Confirmar em vez de assumir: contrastar a interpretação de uma emoção, em vez de a dar como certa, associa-se a projetar menos os próprios sentimentos sobre o outro.
  4. A própria regulação emocional: a investigação descreve a empatia sustentada sem limites como uma possível fonte de desgaste, pelo que costuma ser trabalhada em conjunto com a autorregulação como componentes complementares.

Um exemplo da primeira ideia: um colega de trabalho que responde com brusquidão a um comentário menor provavelmente não está a reagir ao comentário em si, mas a algo anterior (cansaço, uma preocupação diferente) que a empatia bem treinada procura detetar antes de responder apenas à brusquidão superficial.

Perguntas frequentes

O que é a empatia no modelo de inteligência emocional?

A capacidade de reconhecer e compreender o que os outros sentem, mesmo quando não o exprimem diretamente por palavras.

Empatia é o mesmo que ser condescendente?

Não. A empatia é compreender a emoção alheia; ser condescendente é priorizar sistematicamente o outro em detrimento de ti próprio. É possível ter empatia e ainda assim colocar limites.

É possível ter muita empatia e pouca autorregulação?

Sim, e costuma gerar desgaste: sentir intensamente as emoções alheias sem as conseguir gerir pode levar à fadiga por compaixão. Ambos os componentes funcionam melhor em conjunto.