Autoconsciência emocional: a base da inteligência emocional
Autoconsciência emocional: reconhecer antes de reagir
A autoconsciência emocional é a capacidade de identificar com precisão o que sentes enquanto o sentes, não só depois de já teres reagido. É o componente em que os restantes se apoiam: não se consegue regular nem comunicar bem uma emoção que ainda não foi reconhecida.
Não é o mesmo sentir uma emoção e saber nomeá-la: muitas pessoas reagem a partir de uma emoção sem terem bem a certeza de qual é exatamente.
Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se no modelo de inteligência emocional de Goleman e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação, o diagnóstico nem a intervenção de um profissional de saúde mental.
Como se manifesta
- Identificam a emoção no momento, não só em retrospetiva: sabem distinguir, por exemplo, entre frustração e deceção, mesmo que se pareçam.
- Ligam a emoção à sua causa, em vez de ficarem só pelo sintoma: percebem o que a despoletou.
- Notam como o estado de espírito afeta as suas decisões, e têm isso em conta antes de decidir algo importante.
- Distinguem nuances dentro da mesma família emocional, em vez de agruparem tudo sob um rótulo genérico como “estar mal”.
Emoções primárias, secundárias e instrumentais: o que estás a sentir na realidade
O psicólogo Leslie Greenberg, uma das referências da terapia focada nas emoções, propõe uma distinção especialmente útil para treinar a autoconsciência emocional. Segundo Greenberg, nem todas as emoções que sentimos são iguais na origem. Há as emoções primárias, a resposta mais direta e imediata a uma situação (o medo perante um perigo real, a tristeza perante uma perda). Há as emoções secundárias, que na realidade são uma reação à primeira emoção, não à situação em si: por exemplo, sentir raiva por teres sentido medo, ou sentir vergonha por teres ficado triste à frente de outras pessoas. E há as emoções instrumentais, as que se expressam (por vezes sem serem totalmente autênticas) para conseguir um efeito noutra pessoa, como chorar para que alguém deixe de discutir contigo.
Greenberg defende que as emoções são fundamentalmente adaptativas: existem porque nos ajudaram a sobreviver e informam-nos daquilo que realmente nos importa. O problema não é sentir, é não distinguir bem o que se está a sentir, a mesma distinção que se revela essencial para ler as emoções dos outros no nosso artigo sobre empatia. Para a autoconsciência emocional, esta distinção traduz-se numa pergunta muito concreta quando notas uma reação forte: isto que sinto é o que senti primeiro, ou já é uma reação a outra emoção anterior que ainda não identifiquei? Um exemplo habitual: alguém que chega atrasado a um encontro e, ao chegar, explode num reproche desproporcionado; a irritação visível costuma ser secundária, uma reação à vergonha ou à ansiedade que sentiu antes, ao perceber que se ia atrasar.
O que ajuda a treinar esta capacidade, segundo a investigação
Greenberg e a literatura posterior sobre autoconsciência emocional apontam vários fatores associados ao seu desenvolvimento, embora o processo e o ritmo variem consoante a pessoa:
- Nomear a emoção com precisão, em vez de a generalizar como “bem” ou “mal”.
- Uma pausa antes de reagir, para identificar o que se está a sentir antes de agir.
- A distinção entre emoção primária e secundária: Greenberg (2000) sugere que, perante uma reação de raiva, frustração ou vergonha, pode haver uma emoção mais básica por baixo que ainda não foi identificada.
- O registo do próprio estado de espírito: a literatura associa um hábito breve de repassar como nos temos sentido ao desenvolvimento desta capacidade ao longo do tempo.
Se esta dimensão gerar um mal-estar importante, um profissional de saúde mental com cédula profissional pode oferecer um acompanhamento para além do autoconhecimento.
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Perguntas frequentes
O que é a autoconsciência emocional?
A capacidade de reconhecer com clareza que emoção estás a sentir em cada momento e como ela influencia as tuas decisões e o teu comportamento.
Por que razão é considerada a base da inteligência emocional?
Porque não se consegue gerir nem comunicar bem uma emoção que ainda não foi reconhecida: os restantes componentes do modelo dependem deste.
A autoconsciência emocional pode ser treinada?
Segundo o modelo de Goleman, é descrita como um componente treinável, associado na literatura à identificação consciente de emoções e a hábitos como o registo do próprio estado de espírito, embora o processo varie em cada pessoa.