Autorregulação emocional: gerir sem reprimir
Autorregulação emocional: sentir sem que a emoção decida por ti
A autorregulação emocional é a capacidade de gerir uma emoção intensa sem que esta controle automaticamente o comportamento. Não implica deixar de sentir raiva, tristeza ou ansiedade: implica poder decidir como agir apesar de as sentires.
É um componente que se confunde muitas vezes com a repressão emocional, quando na realidade é quase o oposto: exige sentir a emoção com clareza para a conseguir gerir bem.
Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se no modelo de inteligência emocional de Goleman e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação, o diagnóstico nem a intervenção de um profissional de saúde mental.
Como se manifesta
- Tomam distância antes de reagir: deixam passar um momento entre sentir a emoção e agir, em vez de responderem de forma automática.
- Mantêm a calma sob pressão, sem que isso signifique fingir que não sentem nada.
- Recuperam com relativa rapidez de um mau momento, sem que este condicione o resto do dia.
A dupla reação: por que reagimos à nossa própria reação
O médico e psicoterapeuta Norberto Levy descreve as emoções como sinais muito precisos: o medo, a ira ou a culpa avisam cada um de um problema diferente, e cada um cumpre uma função concreta. O medo, em particular, indica que há uma desproporção entre a ameaça que percecionamos e os recursos com que sentimos contar para lhe fazer frente. Levy aponta um padrão que se repete constantemente e que se revela essencial para entender a autorregulação: a dupla reação. Primeiro registamos uma ameaça e reagimos com medo (ou com a emoção correspondente). Depois temos uma segunda reação, desta vez perante o facto de termos sentido essa primeira emoção, por exemplo raiva ou uma sensação de impotência por termos tido medo.
Isto significa que uma reação emocional quase nunca é uma coisa única e estática, mas antes uma sequência breve. Autorregular não consiste em cortar essa sequência pela raiz reprimindo o que se sente primeiro, mas em reconhecer as duas camadas: o sinal original e a reação a esse sinal. Muitas vezes o mal-estar mais difícil de gerir não é a emoção inicial, mas o julgamento que fazemos depois sobre nos termos sentido assim, uma distinção que também é útil para praticar a empatia ao identificar o que há por trás da reação visível de outra pessoa.
Como se treina, segundo Levy e Greenberg
Levy propõe começar por identificar a dupla reação descrita antes: perguntar se o que se sente é o sinal original ou já uma reação a esse sinal, para não confundir as duas camadas. A isto junta-se uma segunda peça, a pausa deliberada (respirar, contar até dez ou adiar a resposta por uns minutos), que Levy associa a uma reação menos impulsiva perante algo intenso. Greenberg (2000), por seu lado, trabalha a tolerância progressiva ao mal-estar: a exposição gradual a situações incómodas, em vez de as evitar de forma sistemática, como parte do mesmo processo de aprender a regular sem reprimir.
Perante uma dificuldade importante nesta área, um profissional de saúde mental com cédula profissional pode oferecer um acompanhamento para além do autoconhecimento.
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Perguntas frequentes
O que é a autorregulação emocional?
A capacidade de gerir as tuas emoções sem que elas tomem o controlo do teu comportamento, sem que isso signifique reprimi-las ou negá-las.
Autorregulação é o mesmo que reprimir emoções?
Não. Reprimir é negar ou esconder a emoção; autorregular é senti-la plenamente e decidir de forma consciente como agir a partir dela.
A autorregulação emocional pode ser treinada?
Segundo o modelo de Goleman, é descrita como um componente treinável, que a literatura associa a técnicas de pausa antes de reagir e à tolerância progressiva ao mal-estar, embora o processo varie em cada pessoa e, perante uma dificuldade importante, convenha a orientação de um profissional.