Líder delegador: adaptas a tua forma de liderar a cada pessoa
Adaptas a tua forma de liderar consoante quem tens à frente: mais autonomia a quem já domina a tarefa, mais acompanhamento a quem está a começar.
Não aplicas o mesmo estilo a toda a equipa: ajustas quanta orientação dás segundo a experiência e a segurança de cada pessoa em cada tarefa concreta.
A liderança situacional de Hersey e Blanchard
Paul Hersey e Kenneth Blanchard desenvolveram em 1969 o modelo de liderança situacional, que parte de uma ideia central: não existe um único estilo de liderança válido para todas as pessoas e situações. Consoante o seu nível de competência e de confiança na tarefa, cada pessoa precisa de um grau diferente de direção e de apoio: desde instruções muito explícitas para quem começa, até plena autonomia para quem já domina o terreno. A liderança delegadora deste perfil aplica precisamente esse princípio de ajuste constante.
Como se aplica este estilo
- Oferece-se mais acompanhamento a quem está a aprender uma tarefa nova, e mais margem a quem já a domina.
- As decisões sobre quanto intervir revêem-se com frequência, não se fixam de uma vez para sempre.
- Reconhece-se explicitamente quando alguém já não precisa de tanta orientação, cedendo autonomia de forma progressiva.
- A equipa percebe um tratamento ajustado ao seu momento, não uma fórmula única aplicada por igual a todos.
Calibrar bem a autonomia de cada pessoa
O risco deste estilo é calibrar mal o nível de autonomia real de cada pessoa: dar demasiada liberdade a quem ainda precisa de apoio gera insegurança, e dar demasiada supervisão a quem já domina a tarefa pode sentir-se como desconfiança. Perguntar diretamente, em vez de assumir, é uma abordagem que alguns consideram mais fiável para ajustar o nível de acompanhamento em cada caso, ainda que isto dependa de cada pessoa e de cada contexto.
Se preferes manter uma intervenção mínima com toda a equipa, independentemente do seu nível de experiência, revê o perfil líder sereno.
Liderar como um jardineiro, segundo Stanley McChrystal
O general Stanley McChrystal, no seu livro Team of Teams, conta como teve de transformar uma estrutura de comando militar rígida e hierárquica numa rede descentralizada de pequenas equipas, capazes de decidir por conta própria, para poder responder com a rapidez que exigia um ambiente cada vez mais complexo e imprevisível. Um dos capítulos do livro intitula-se literalmente “Liderar como um jardineiro”: em vez de controlar cada detalhe a partir de cima, a tarefa de quem lidera passa a ser criar as condições adequadas (confiança, um propósito partilhado com clareza, acesso à mesma informação) para que as próprias equipas tomem boas decisões, mais perto de onde realmente está a informação relevante.
Esta ideia encaixa de forma muito direta com o perfil delegador: não se trata de te desligares, um jardim sem ninguém que cuide dele também não prospera, mas sim de dedicar o esforço de liderança a preparar o terreno (dar a cada pessoa o nível de contexto, confiança e margem de que precisa) em vez de tentar dirigir cada passo. McChrystal insiste em que isto exige mais disciplina, não menos: é preciso manter toda a equipa alinhada em torno do mesmo propósito e informação para que a autonomia de cada um não derive em descoordenação.
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Perguntas frequentes
De onde vem o conceito de liderança delegadora?
Da liderança situacional, proposta por Paul Hersey e Kenneth Blanchard: a ideia de que o estilo de liderança eficaz depende do nível de competência e autonomia de cada pessoa, não de uma única fórmula fixa.
É o mesmo que a liderança serena ou laissez-faire?
Não. O delegador ajusta ativamente quanta orientação dá consoante a pessoa; o sereno mantém uma intervenção mínima de forma mais geral, independentemente de quem tem à frente.
Exige mais esforço do que outros estilos?
Sim, num certo sentido: exige avaliar constantemente o nível de autonomia de cada pessoa e ajustar o próprio comportamento em consequência, em vez de aplicar um único padrão.
Funciona bem com equipas muito diversas em experiência?
Especialmente bem: é um dos pontos fortes deste estilo, já que não trata da mesma forma quem já domina a tarefa e quem está a começar.