Perfil arriscado: quando a incerteza é mais atrativa do que a certeza
O perfil arriscado prefere a possibilidade de um ganho grande à certeza de um pequeno: a incerteza não o paralisa, ativa-o.
Nota importante: este artigo descreve um traço de personalidade perante o risco e a incerteza, não um conselho financeiro. Não substitui o critério de um consultor qualificado perante nenhuma decisão real de dinheiro ou de negócio.
De onde vem esta forma de decidir
Onde outros perfis veem ameaça, este perfil vê oportunidade. É um padrão que coincide com o que a investigação sobre propensão ao risco e procura de sensações, linha de trabalho associada ao psicólogo Marvin Zuckerman, descreve nas pessoas mais confortáveis a agir sob ambiguidade do que à espera de certezas: a novidade e a incerteza não são vividas como uma ameaça a evitar, mas como parte do que torna uma decisão interessante.
Como se manifesta no dia a dia
- Age depressa perante uma oportunidade, antes que arrefeça ou lha tirem.
- Uma perda não o faz arrepender-se de ter tentado.
- Atrai-o a possibilidade de um ganho grande, mesmo que o risco de perder também o seja.
- Aborrece-se com opções demasiado seguras e previsíveis.
O desafio de crescimento
O mesmo impulso que permite aproveitar oportunidades reais também pode levar a subestimar riscos que de facto importam. Algumas abordagens sobre tomada de decisão apontam uma pausa breve antes de decidir como um fator associado a melhores resultados neste perfil, sem que isso implique travar a iniciativa que o caracteriza, ainda que isto varie consoante a pessoa e a situação.
Porque é que o risco precisa de educação financeira, não só de apetite
Convém não confundir este perfil com a simples imprudência. O empresário Robert Kiyosaki, em Pai Rico, Pai Pobre (1997), é claro num ponto que se aplica diretamente aqui: o risco que constrói património real vem sempre acompanhado de entender bem o terreno, de saber ler se algo é um verdadeiro ativo ou só parece, e de calcular com o que se conta se a aposta correr mal. Kiyosaki não defende arriscar por arriscar, defende que a falta de educação financeira é o que transforma um risco calculado numa imprudência.
Para este perfil, o pormenor que Kiyosaki propõe é que a mesma energia que empurra para agir depressa poderia render melhor combinada com entender os números por trás de cada oportunidade, não só com a emoção de avançar. Isto descreve o argumento de um autor sobre um traço de personalidade, não uma recomendação de investimento: qualquer decisão real de dinheiro ou de negócio convém tomá-la com informação específica e, se for preciso, com o critério de um consultor qualificado.
O seu oposto: o perfil conservador
No extremo oposto está o perfil conservador, para quem evitar a perda pesa mais do que qualquer oportunidade. Entre ambos há todo um espetro, com o perfil moderado como ponto intermédio habitual.
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Perguntas frequentes
Ser arriscado significa não medir as consequências?
Não necessariamente. Este perfil tolera bem a incerteza e age depressa, mas isso não equivale a agir sem qualquer critério; o verdadeiro desafio está em não confundir audácia com impulsividade sistemática.
Está relacionado com a procura de sensações?
Sim, tem relação com o que a investigação sobre procura de sensações descreve: preferência por experiências novas e intensas em vez do previsível.
Este resultado substitui um aconselhamento financeiro real?
Não. É um traço de personalidade perante a incerteza, não uma recomendação de investimento nem um perfil financeiro real.