Porque é que a ocitocina é chamada a 'hormona dos abraços'?
Porque é que a ocitocina é chamada a “hormona dos abraços”
A ocitocina é frequentemente descrita como a hormona dos abraços, um nome que se popularizou pela forma como se liberta em situações de contacto físico e proximidade social: um abraço, uma carícia, o nascimento de um filho, um momento de intimidade partilhada.
Nota de responsabilidade: Este artigo baseia-se, entre outras fontes, no livro «Encontra a Tua Pessoa Vitamina», da psiquiatra Marian Rojas Estapé, e tem uma finalidade exclusivamente divulgativa. Não substitui a avaliação, o diagnóstico nem a intervenção de um profissional de saúde mental.
Ocitocina contra cortisol
Rojas Estapé descreve a ocitocina em contraste direto com o cortisol, a hormona associada ao stress e ao estado de alerta. Enquanto o cortisol prepara o corpo para ameaças, a ocitocina associa-se à sensação de segurança e confiança que surge no contacto próximo com outra pessoa. A autora sublinha que ter pessoas de confiança perto, o que descreve como ter uma “pessoa vitamina”, pode ajudar a moderar a resposta ao stress através deste tipo de mecanismos.
Um aviso importante: o determinismo hormonal
Apesar de descrever este efeito, Rojas Estapé é explícita a alertar contra o determinismo hormonal: a ideia de que uma única hormona explica, por si só, comportamentos complexos como a confiança, o amor ou o vínculo social. As hormonas participam nestes processos, mas não os determinam de forma isolada nem mecânica; intervêm também a história pessoal, o contexto e a própria vontade.
Aristóteles contra Hobbes (e um desvio curioso)
A autora enquadra a questão social do ser humano através de duas posições filosóficas clássicas. Aristóteles defendia que o ser humano é, por natureza, um animal social, que precisa de outros para florescer. A frase «o homem é lobo do homem», popularmente associada a Thomas Hobbes, tem origem, na realidade, no dramaturgo romano Plauto, muito antes de Hobbes a retomar para descrever um estado natural de conflito entre pessoas.
A pandemia como prova indireta
Rojas Estapé recorre à experiência do isolamento durante a pandemia, e ao sacrifício pessoal de muitos profissionais de saúde nesse período, como evidência indireta da nossa necessidade de vínculo: o custo emocional do isolamento e a disposição para o sacrifício em nome de outros mostram, segundo a autora, até que ponto somos seres relacionais, não apesar da nossa natureza, mas por causa dela.
Uma pergunta clínica reveladora
A autora refere que, na sua prática clínica, uma das primeiras perguntas que costuma fazer a um paciente, logo a seguir a perguntar como se sente, é sobre o estado das suas relações mais próximas. Essa ordem não é acidental: reflete até que ponto o estado dos nossos vínculos costuma estar entrelaçado com o nosso bem-estar emocional geral.
Podes ler mais sobre como este tipo de vínculo se constrói e se mantém em vinculação segura e em vinculação ansiosa, ou explorar o teu próprio padrão através do teste de vinculação.
Fontes
Rojas Estapé, M. (2021). Encuentra tu persona vitamina. Espasa.
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Perguntas frequentes
Que efeito tem a ocitocina no corpo?
Associa-se à sensação de proximidade e confiança social, e costuma contrapor-se ao cortisol, a hormona ligada ao stress. Liberta-se em situações de contacto físico e vínculo social.
A ocitocina explica sozinha o comportamento social?
Não. A psiquiatra Marian Rojas Estapé alerta explicitamente contra o 'determinismo hormonal': as hormonas influenciam, mas não determinam por si só a forma como nos relacionamos.
Somos sociais por natureza ou apesar da nossa natureza?
É uma questão filosófica de longa data: Aristóteles defendia que o ser humano é um animal social por natureza, enquanto a ideia de que 'o homem é lobo do homem', popularizada por Hobbes, vem originalmente de Plauto.