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Negócios e decisões

Audacioso: quando o incerto é mais atrativo do que o previsível

Por Ramón Personaramic2 min de leitura
Ilustração minimalista com o estilo Audacioso num crachá geométrico

O estilo audacioso encontra na incerteza algo atrativo, não ameaçador: decide depressa e tolera bem a possibilidade de perder.

Procurar, não só tolerar, a incerteza

A diferença entre tolerar o risco e procurá-lo ativamente é real, e este estilo está mais próximo da segunda opção. É um padrão que coincide com a investigação sobre procura de sensações, associada ao psicólogo Marvin Zuckerman: preferência pela novidade, pela variedade e pela intensidade das experiências, em vez da previsibilidade. Onde outros estilos veem uma ameaça a gerir, o estilo audacioso vê uma oportunidade a aproveitar antes que arrefeça.

Como se manifesta no dia a dia

  • A emoção do incerto é mais atrativa do que a segurança do previsível.
  • Decide depressa, sem precisar de todas as garantias à partida.
  • Uma perda raramente se traduz em arrependimento por ter tentado.
  • Aborrece-se com facilidade perante opções demasiado seguras ou repetitivas.

O seu desafio de crescimento

O mesmo impulso que permite aproveitar oportunidades reais pode levar a subestimar riscos que de facto importam, sobretudo quando as consequências de falhar são altas. Algumas abordagens sobre tomada de decisão sugerem que, para este estilo, uma pausa breve antes de se comprometer de vez poderia ajudar a equilibrar a rapidez com a revisão, embora isto dependa de cada situação e, perante decisões de negócio ou dinheiro relevantes, seja aconselhável procurar aconselhamento profissional.

Andar no fio da navalha: a história por detrás da Nike

Phil Knight resume em Shoe Dog (2016) o seu próprio percurso como fundador da Nike com uma imagem muito precisa: descreve ter passado anos a andar no fio da navalha do mundo empresarial, entre a segurança e a catástrofe, com a empresa à beira da falência mais do que uma vez enquanto crescia à custa de dívida e de encomendas cada vez maiores. Perto do fim do livro, um antigo colega oferece-lhe um relógio gravado com as palavras “obrigado por arriscares comigo”. Knight responde com uma reflexão reveladora: para ele, apostar naquela pessoa em concreto não foi propriamente um risco, foi “uma aposta bastante segura”, ainda que de fora todo o projeto parecesse uma loucura.

Essa distinção é essencial para perceber o verdadeiro estilo audacioso. O que a outros parece temeridade, quem o vive por dentro vive-o muitas vezes como uma decisão razoável, tomada com informação e intuição que quem está de fora não tem. Nem sempre é assim, e aí está o desafio deste estilo, mas convém não confundir “parece arriscado visto de fora” com “é-o também por dentro”: são perguntas diferentes, e só quem está a tomar a decisão pode responder à segunda com honestidade.

O seu oposto: o estilo prudente

No extremo oposto está o estilo prudente, que prioriza a segurança quase sempre. O estilo calculista combina algo dos dois: assume risco, mas só quando a análise o sustenta.

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Perguntas frequentes

Ser audacioso é o mesmo que ser imprudente?

Não necessariamente. Tolerar bem a incerteza não equivale a agir sem qualquer critério; muitas pessoas audaciosas até avaliam as consequências, só que estas pesam menos do que a oportunidade.

Tem relação com a procura de sensações?

Sim, é um padrão próximo do que a investigação sobre procura de sensações descreve: preferência pela novidade e pela intensidade em vez do previsível.