Comunicação assertiva: dizer o que pensas sem deixar de respeitar o outro
A comunicação assertiva não evita o desacordo nem o impõe: nomeia-o com clareza e respeito ao mesmo tempo.
Este teste faz parte de uma série divulgativa sobre estilo de comunicação, baseada na teoria clássica da assertividade. A sua leitura tem fins informativos e não substitui o acompanhamento de um profissional de psicologia.
O equilíbrio entre os outros três estilos
Dos quatro estilos que a teoria clássica da assertividade descreve, desenvolvida por Robert Alberti e Michael Emmons desde os anos setenta, o assertivo é o único que respeita ao mesmo tempo as necessidades próprias e as do outro. Não cala o que pensa (ao contrário do estilo passivo), não o impõe sem filtro (ao contrário do agressivo) e não o comunica de forma indireta (ao contrário do passivo-agressivo): exprime-o de maneira direta, mas cuidando o impacto que tem na outra pessoa.
Como se manifesta
- Consegues dizer que não sem te justificares em excesso nem te sentires culpado por isso.
- Exprimes o desacordo no momento em que surge, de forma direta mas cuidada.
- Manténs a tua posição sem precisares que o outro ceda por completo para sentires que a conversa correu bem.
- Escutas a resposta do outro com genuína disposição para a considerar, não só à espera da tua vez de falar.
Porque é o estilo mais associado a relações saudáveis
A investigação em assertividade relaciona este estilo com vínculos mais duradouros e satisfatórios a longo prazo: permite defender as próprias necessidades sem precisar de as calar (o que geraria frustração acumulada) nem de as impor acima das do outro (o que geraria distância). Não é que as discussões desapareçam, continuam a existir desacordos, mas resolvem-se com menos custo emocional e menos ressentimento residual.
Não é um estado permanente
Convém não idealizar este estilo como se fosse uma conquista fixa, alcançada de uma vez para sempre. A assertividade não é um traço estático: sob muito stress, cansaço, ou numa discussão especialmente carregada emocionalmente, qualquer pessoa pode deslizar pontualmente para a passividade (calar-se para evitar mais conflito) ou para a agressividade (perder a paciência com o tom). Estar consciente desses momentos, sem se julgar com dureza por eles, ajuda a voltar ao equilíbrio da próxima vez.
O teu desafio de manutenção
Se já te identificas com este estilo, o desafio não é “alcançá-lo” mas sustentá-lo nos momentos difíceis: as discussões com mais carga emocional, as conversas com quem mais te importa, ou os dias em que simplesmente estás esgotado. Reconhecer quando estás prestes a ceder para outro estilo é, em si mesmo, uma forma de assertividade contigo próprio.
O significado partilhado, segundo Crucial Conversations
Kerry Patterson, Joseph Grenny, Ron McMillan e Al Switzler, em Crucial Conversations (2002), descrevem o diálogo real como o fluxo livre de significado entre as pessoas: quantas mais ideias, dados e perspetivas se põem em cima da mesa, mais inteligente é a decisão final do grupo, e mais comprometidas ficam as pessoas com ela, precisamente porque perceberam o porquê, não apenas foram informadas. É isto que faz da comunicação assertiva melhor do que as outras três alternativas: não retira informação do conjunto (como o silêncio) nem a impõe de forma unilateral (como a violência), mas contribui com ela com clareza e deixa-a disponível para a conversa avançar. Os autores ilustram o custo de não o fazer com um caso real: num hospital, sete profissionais perguntaram-se em silêncio porque é que um cirurgião estava a operar uma parte do corpo que não correspondia, e nenhum disse nada. O erro não se deveu a falta de conhecimento, mas ao facto de esse conhecimento nunca ter chegado a ser partilhado em voz alta.
Identificas-te com este estilo? Confirma com o teste de estilo de comunicação.
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Descobre o teu resultado com um dos nossos testes relacionados.
Perguntas frequentes
A assertividade é um traço fixo ou pode treinar-se?
Segundo a literatura sobre assertividade, é descrita como uma competência treinável com prática, não como um traço fixo para a vida toda, ainda que o processo e o ritmo variem em cada pessoa.
Posso deixar de ser assertivo em algumas situações?
Sim. Sob muito stress ou cansaço, qualquer pessoa pode deslizar pontualmente para a passividade ou para a agressividade; não é uma recaída permanente, é parte de ser humano.
Ser assertivo significa conseguir sempre o que quero?
Não. Significa exprimir a tua posição com clareza e respeito, não necessariamente conseguir que o outro ceda por completo; às vezes o resultado assertivo é simplesmente que ambas as posições ficam ditas.
Que relação tem isto com o estilo de gestão de conflitos?
São dimensões relacionadas mas distintas: a assertividade é como exprimes o que pensas; o estilo de conflito é o que fazes quando os teus interesses chocam com os de outra pessoa. Podes consultar também o nosso teste de como lido com os conflitos.