Comunicação passivo-agressiva: o mal-estar dito sem se dizer
A comunicação passivo-agressiva diz aquilo que a comunicação passiva não se atreve a dizer, mas de forma indireta em vez de aberta.
Este teste faz parte de uma série divulgativa sobre estilo de comunicação, baseada na teoria clássica da assertividade. A sua leitura tem fins informativos e não substitui o acompanhamento de um profissional de psicologia.
Um meio-termo incómodo
Dentro dos quatro estilos clássicos de assertividade, o passivo-agressivo ocupa um lugar particular: não é tão silencioso como o passivo puro, mas também não é tão direto como o agressivo. Costuma emergir quando exprimir o desacordo de forma aberta não se sentiu seguro no passado, mas calá-lo por completo também não é suportável. O resultado é um meio-termo: o mal-estar comunica-se, mas de forma indireta, um silêncio carregado, um comentário irónico, um gesto, em vez de o nomear com clareza.
Como se manifesta
- Mostras o desagrado com gestos ou silêncios antes de com palavras.
- Aceitas fazer algo que na realidade não queres, e depois deixas notar isso de forma indireta.
- Usas a ironia ou o sarcasmo para assinalar algo que te incomodou, em vez de o dizeres diretamente.
- Esperas que a outra pessoa “repare” no que se passa contigo sem teres de o explicar.
Porque é que as indiretas raramente funcionam
O problema central deste estilo é que confia em que o outro vai interpretar corretamente uns sinais que, vistos de fora, quase nunca são tão claros como parecem por dentro. O que para ti é um silêncio evidentemente carregado de significado, para a outra pessoa pode passar completamente despercebido, ou ser mal interpretado como cansaço, distração ou qualquer outra coisa. A mensagem que querias transmitir, “isto incomodou-me”, muitas vezes simplesmente não chega.
O custo a longo prazo
Quando este padrão se repete, pode gerar uma dinâmica frustrante para ambas as partes: quem o pratica sente que os seus sinais são ignorados uma e outra vez, e quem os recebe sente que há um mal-estar constante sem saber exatamente de onde vem nem como o abordar. Com o tempo, isto pode desgastar a confiança mais do que um desacordo direto e resolvido no momento.
O teu caminho até à assertividade
A outra pessoa raramente “dá-se conta sozinha” do que se passa, por mais pistas indiretas que se deixem. Segundo esta abordagem, nomear o mal-estar no momento em que surge, mesmo que seja com uma única frase direta e breve (“isto não me caiu bem” diz em poucas palavras aquilo que uma hora de silêncio tenta comunicar sem conseguir de todo), poderia reduzir a necessidade de rodeios e facilitar resolver o problema com mais rapidez em alguns casos, ainda que cada situação e cada relação sejam diferentes.
Porque é que isto é “mascarar” e não silêncio puro
Kerry Patterson, Joseph Grenny, Ron McMillan e Al Switzler, em Crucial Conversations (2002), chamam “mascarar” à forma de silêncio que consiste em deixar entender a opinião real sem chegar a dizê-la por completo: a ironia, o comentário que suaviza artificialmente o mal-estar, o rodeio que deixa registo de que algo se passa sem o nomear com clareza. É exatamente esta qualidade que faz com que o estilo passivo-agressivo se sinta diferente tanto do silêncio puro como da agressão aberta: tecnicamente diz-se algo, há um gesto, uma frase, um tom, mas esse algo está desenhado para que o outro tenha de o interpretar em vez de o receber diretamente. Os autores assinalam que esta forma intermédia costuma surgir precisamente porque dizer a opinião de forma aberta se sentiu arriscado nalgum momento, mas calá-la por completo também não era suportável; o mascarar é a saída para esse conflito interno, ainda que quase nunca resolva o problema de fundo que o originou.
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Perguntas frequentes
Porque uso a ironia em vez de dizer diretamente o que me incomoda?
Costuma ser um meio-termo: exprimir o desacordo de forma direta não se sentiu seguro, mas calá-lo por completo também não é suportável. A ironia deixa registo do mal-estar sem assumir o risco de o nomear.
É o mesmo que ser rancoroso?
Não exatamente. Descreve uma forma de comunicar o desacordo de maneira indireta, não necessariamente guardar rancor a longo prazo, ainda que ambas as coisas possam coincidir.
Porque é que a outra pessoa não capta as indiretas?
Porque raramente os sinais indiretos são tão claros como parecem por dentro. O que a ti te parece óbvio, ao outro pode passar-lhe completamente despercebido.
Como começo a comunicar de forma mais direta?
Segundo a teoria da assertividade, nomear o mal-estar no momento em que surge, mesmo que seja com uma frase breve e direta, em vez de esperar que se acumule, é descrito como uma mudança que poderia facilitar uma comunicação mais direta, ainda que o processo varie em cada pessoa e cada relação.