Estilo comprometedor perante o conflito: um ponto médio rápido
O estilo comprometedor não procura a solução perfeita, procura uma razoável e rápida.
Este teste faz parte de uma série divulgativa sobre gestão de conflitos, baseada num modelo académico clássico de psicologia social. A sua leitura tem fins informativos e não substitui o acompanhamento de um profissional.
Um meio-termo entre assertividade e cooperação
No modelo de Kenneth Thomas e Ralph Kilmann (1974), o estilo comprometedor ocupa o ponto médio entre as duas dimensões do conflito: nem tão assertivo como o competidor, nem tão cooperativo como o colaborador. Procura uma solução razoável, em que cada parte cede algo, sem investir o tempo que exigiria explorar todas as opções possíveis.
Quando funciona
É especialmente útil quando o tempo urge ou o tema não justifica uma negociação longa: um ponto médio aceitável para ambos costuma ser melhor do que prolongar o desacordo desnecessariamente. No dia a dia, a maioria dos pequenos desacordos (que série ver, como repartir uma tarefa) resolvem-se melhor assim do que com um processo de colaboração exaustivo.
Como se manifesta
- Preferes que cada um ceda um pouco em vez de alongar a discussão mais do que o necessário.
- Procuras um ponto médio rápido em temas que não são cruciais para ti.
- Achas razoável renunciar a parte do que queres se o outro fizer o mesmo.
- Valorizas fechar o desacordo com rapidez acima de encontrar a solução “perfeita”.
O risco de o usar sempre
O problema surge quando este estilo se torna o único recurso, mesmo em temas importantes. Um ponto médio rápido numa decisão que de facto importa pode deixar ambas as partes com uma solução medíocre, nem o que um queria, nem o que o outro queria, em vez de investir o tempo necessário para encontrar algo melhor. Comprometer sempre, por comodidade, pode acabar por custar mais do que poupa.
O teu desafio de crescimento
Reservar a colaboração para o que de facto importa, e o compromisso rápido para o resto, costuma ser a combinação mais eficaz. Antes de resolveres um desacordo com um ponto médio automático, vale a pena perguntares-te se o tema é realmente daqueles que se resolvem bem assim, ou se desta vez vale a pena investir um pouco mais de tempo.
Comprometer bem é negociar com critérios objetivos
Roger Fisher, William Ury e Bruce Patton, do Projeto de Negociação de Harvard, em Getting to Yes, assinalam que insistir em critérios objetivos (um preço de mercado, a opinião de alguém especialista no tema, um costume já estabelecido entre ambas as partes) facilita chegar a um acordo sensato, porque ninguém perde tempo a defender a própria posição nem a atacar a do outro: a discussão desloca-se do “eu quero isto” para o “o que diz o critério objetivo aqui?”. Isso é exatamente o que distingue um compromisso bem feito de um simples “dividir a diferença” ao acaso. Cada parte ceder um pouco funciona melhor, e sente-se mais justo para ambas, quando esse ponto médio se ancora em algo externo e verificável em vez de em quem insistiu mais ou quem se cansou primeiro de discutir. Da próxima vez que procurares um compromisso rápido, perguntares-te se existe algum critério objetivo em que ancorar a repartição, em vez de dividir em partes iguais sem mais, costuma produzir um acordo com o qual ambas as partes se sentem melhor tratadas.
Identificas-te com este estilo? Confirma com o teste de como lido com os conflitos.
Queres saber mais sobre ti?
Descobre o teu resultado com um dos nossos testes relacionados.
Perguntas frequentes
Comprometer é o mesmo que colaborar?
Não. Comprometer procura um ponto médio rápido em que cada parte cede algo; colaborar investe mais tempo à procura de uma solução que satisfaça ambas as partes por completo.
É um estilo 'a meio' ou pouco comprometido?
Pelo contrário: é uma escolha deliberada e muito eficiente quando o tempo urge ou o tema não justifica uma negociação longa. Não é indecisão, é pragmatismo.
Quando não convém comprometer?
Em temas realmente importantes, onde um ponto médio deixa ambas as partes com uma solução medíocre em vez de uma verdadeiramente boa; aí costuma render mais colaborar.
Qual é o modelo por trás deste teste?
Baseia-se no modelo académico de dupla dimensão de Kenneth Thomas e Ralph Kilmann (1974): assertividade própria face à cooperação com o outro.