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Relações e vida social

Estilo evitador perante o conflito: esperar pelo momento certo

Por Rafa Personaramic3 min de leitura
Ilustração minimalista com a palavra EVITAR num emblema geométrico

O estilo evitador nem sempre é fugir do problema: às vezes é esperar pelo momento certo para o abordar.

Este teste faz parte de uma série divulgativa sobre gestão de conflitos, baseada num modelo académico clássico de psicologia social. A sua leitura tem fins informativos e não substitui o acompanhamento de um profissional.

Baixa assertividade, baixa cooperação

No modelo de Kenneth Thomas e Ralph Kilmann (1974), o estilo evitador combina baixa assertividade (não defender ativamente a própria posição) com baixa cooperação (também não procurar ativamente a do outro): simplesmente adia ou esquiva o desacordo. Muitas vezes é mal interpretado como fraqueza, mas em muitos contextos é uma escolha estratégica razoável.

Quando funciona

É genuinamente útil em conflitos de baixo risco, onde o custo de discutir supera o benefício de o resolver; quando a tensão do momento faz com que qualquer conversa vá correr mal, e convém esperar que baixe; ou quando o tema, simplesmente, tende a resolver-se sozinho com o passar do tempo sem precisar de intervenção direta.

Como se manifesta

  • Adias uma conversa difícil até a tensão do momento baixar.
  • Deixas passar temas que não consideras muito importantes, sem lhes dar mais voltas.
  • Evitas iniciar um conflito se achas que não vai levar a nada produtivo.
  • Preferes dar-te tempo antes de reagir a algo que te incomodou.

O risco de evitar o que importa

O problema surge quando este estilo se torna a resposta automática também para os temas que de facto precisam de ser falados. Ao contrário dos desacordos menores, esses temas não desaparecem só por serem adiados indefinidamente: costumam continuar ali, e adiá-los demasiado pode fazer com que, quando finalmente são abordados, cheguem com mais carga acumulada do que a necessária.

O teu desafio de crescimento

A chave está em distinguir “isto pode esperar” de “estou a evitar isto porque me incomoda”. A primeira é uma decisão estratégica legítima; a segunda, se se repetir com o que é importante, pode deixar necessidades reais por atender indefinidamente. Perguntares-te com honestidade qual das duas está a acontecer em cada caso ajuda a usar este estilo onde de facto rende.

O que evitar faz ao significado partilhado

Kerry Patterson, Joseph Grenny, Ron McMillan e Al Switzler, em Crucial Conversations (2002), incluem “evitar” e “retirar-se” entre as formas de silêncio que surgem quando uma conversa começa a sentir-se arriscada: esquivar por completo o tema sensível, ou diretamente sair da conversa ou da sala. Aplicado ao conflito, este estilo faz exatamente isso, adiar ou esquivar o desacordo, e os autores são claros quanto ao seu efeito: mantém o conjunto de informação e perspetivas partilhadas perigosamente superficial. Isso não é um problema quando o tema é realmente menor, caso em que evitá-lo é simplesmente eficiente. Mas quando se aplica a algo que de facto importa, o assunto de fundo não se resolve, apenas se atrasa, e costuma voltar mais tarde com a mesma tensão por processar, ou até mais acumulada do que no início.

Identificas-te com este estilo? Confirma com o teste de como lido com os conflitos.

Queres saber mais sobre ti?

Descobre o teu resultado com um dos nossos testes relacionados.

Perguntas frequentes

Evitar o conflito é sempre uma má estratégia?

Não. É genuinamente útil em conflitos de baixo risco, quando a tensão do momento impede uma conversa produtiva, ou quando o tema se resolve sozinho com o tempo.

Qual é a diferença entre evitar e ser passivo ao comunicar?

Estão relacionadas mas não são o mesmo: a comunicação passiva é como exprimes (ou não) o que pensas; o estilo evitador perante o conflito é se decides entrar ou não no desacordo.

Quando é que evitar se torna um problema?

Quando se aplica também ao que é importante: os temas que de facto precisam de ser falados não desaparecem só por serem adiados indefinidamente.

Qual é o modelo por trás deste teste?

Baseia-se no modelo académico de dupla dimensão de Kenneth Thomas e Ralph Kilmann (1974): assertividade própria face à cooperação com o outro.