Estratega cauteloso: avançar com garantias
O estilo estratega cauteloso avança com garantias: prefere um plano sólido e antecipar os problemas antes de se comprometer de vez.
Nota importante: este artigo descreve um traço de personalidade perante o planeamento e o risco, não um conselho financeiro ou de negócio. Não substitui o critério de um consultor qualificado perante nenhuma decisão real de dinheiro ou de negócio.
Planear como forma de reduzir o risco
A assunção de risco é uma das três dimensões clássicas da orientação empreendedora descritas por Jeffrey Covin e Dennis Slevin, e nem todos os perfis empreendedores pontuam igual de alto nela. O estilo estratega cauteloso gere o risco reduzindo-o antecipadamente, através do planeamento: não evita lançar-se em novos projetos, mas precisa de ter um plano razoavelmente sólido antes de o fazer, e dedica tempo a antecipar o que poderia correr mal.
Como se manifesta no dia a dia
- Prefere um plano sólido a lançar-se sem rede.
- Dedica tempo a antecipar problemas antes de estes aparecerem.
- Avança por fases, confirmando que cada uma funciona antes de passar à seguinte.
- Valoriza a sustentabilidade de um projeto tanto como o seu potencial inicial.
O seu desafio de crescimento
O planeamento cuidadoso pode transformar-se, sem se dar conta, numa forma de adiar o lançamento indefinidamente: há sempre mais um pormenor a rever. O desafio deste estilo é reconhecer o ponto em que o plano já é «suficientemente bom» para começar, em vez de perseguir uma certeza que nos projetos reais raramente existe por completo.
Porque é que evitar a concorrência direta pode ser a jogada mais inteligente
Peter Thiel, em De Zero a Um (2014), questiona o que chama a ideologia da concorrência: a ideia, muito difundida, de que competir de frente num mercado já ocupado é a prova de que um negócio é sério. Thiel defende exatamente o contrário: quanto mais um negócio se parece com os concorrentes, pior costuma correr-lhe, porque a concorrência direta reduz as margens para todos. A sua recomendação é procurar um espaço próprio, um nicho suficientemente específico para operar com pouca rivalidade real, e crescer a partir daí com uma vantagem genuína, não apenas executar melhor o mesmo que já toda a gente faz.
Esse raciocínio encaixa de forma natural no estilo estratega cauteloso: o seu instinto de não se lançar sem plano partilha, segundo esta abordagem de Thiel, a mesma pergunta de fundo perante qualquer mercado saturado: haverá uma versão mais específica e menos disputada desta mesma ideia? Isto é uma descrição de um traço de personalidade e de um argumento de um autor, não uma recomendação de negócio: qualquer decisão real sobre estratégia, mercado ou investimento convém tomá-la com informação específica e, se for preciso, com o critério de um consultor qualificado.
Complementar a outros estilos
Este estilo traz o contrapeso de planeamento que falta ao executor proativo e ao inovador, ambos mais orientados para a velocidade e a ideia do que para a solidez do plano.
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Perguntas frequentes
Ser cauteloso significa não ser empreendedor a sério?
Não. A investigação sobre orientação empreendedora inclui a assunção de risco como mais uma dimensão, não como um requisito único; planear com cuidado também é uma forma legítima de empreender.
Este estilo demora mais a lançar projetos?
Costuma demorar, sim, comparado com estilos mais impulsivos. Em troca, tende a antecipar problemas que outros estilos só descobrem já a meio caminho.
Este resultado substitui um aconselhamento de negócio real?
Não. É um traço de personalidade perante o planeamento e o risco, não uma recomendação de investimento nem um plano de negócio real.