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Inovador: o motor é a novidade

Pela redação do Personaramic5 min de leitura
Ilustração minimalista com o estilo Inovador num crachá geométrico

O motor do estilo inovador é a novidade: entusiasma-o mais imaginar formas diferentes de fazer as coisas do que aperfeiçoar o que já existe.

Nota importante: este artigo descreve um traço de personalidade perante a criatividade e a novidade, não um conselho financeiro nem de negócio. Não substitui o critério de um consultor qualificado perante qualquer decisão real de dinheiro ou de negócio.

“Inovador” é a etiqueta do teste de estilo empreendedor para quem se reconhece em frases como “aborrecem-me as soluções convencionais quando acho que há uma melhor” ou “costumo questionar porque é que as coisas se fazem de uma forma concreta”. Três linhas de investigação ajudam a entendê-la.

A inovação como dimensão própria

A investigação sobre orientação empreendedora, que começa com Danny Miller (1983) e que Jeffrey Covin e Dennis Slevin (1989) transformaram numa escala, descreve a inovação como uma dimensão independente da proatividade e da assunção de risco. Essa escala mede empresas, não pessoas, mas a distinção serve na mesma: pode-se ser muito inovador sem ser especialmente arriscado, ou o contrário.

O estilo inovador destaca-se precisamente aí. O que o move não é tanto executar depressa nem correr riscos por sistema, mas a insatisfação criativa perante o que já existe e a procura de outra forma de o fazer.

Adaptadores e inovadores: a teoria de Kirton

O psicólogo britânico Michael Kirton (1976) propôs que as pessoas diferem no seu estilo criativo ao longo de um contínuo. Num extremo estão os adaptadores, que preferem “fazer melhor as coisas” dentro do quadro existente. No outro, os inovadores, que preferem “fazer as coisas de outra maneira” e questionam o próprio quadro.

O seu inventário, o KAI (Kirton Adaption-Innovation Inventory), tem 32 itens e costuma ser descrito com três subescalas: originalidade, eficiência e conformidade com as regras e o grupo.

O contributo mais interessante de Kirton é que estilo não é nível. Um adaptador não é menos criativo do que um inovador: aplica a sua criatividade a outro tipo de problema. Por isso a teoria vê nas equipas mistas uma vantagem, desde que cada estilo entenda como trabalha o outro.

O perfil inovador do teste parece-se muito com o polo inovador de Kirton. A diferença é que o nosso teste é breve e orientativo, e o KAI é um instrumento com décadas de estudos por trás.

O que se sabe sobre a personalidade criativa

A meta-análise de Gregory Feist (1998) comparou a personalidade de cientistas e artistas com a de grupos de comparação, usando o quadro dos cinco grandes traços. As pessoas criativas eram, no conjunto, mais abertas à experiência e menos convencionais, e também menos conscienciosas no sentido técnico do Big Five (menos organizadas e metódicas). Abertura e conscienciosidade estavam entre as maiores diferenças.

Este último dado ajuda a ler o ponto fraco típico deste perfil, que nada tem a ver com capacidade: a abertura empurra para a ideia seguinte, e a conscienciosidade é o que sustenta a anterior até a terminar.

No dia a dia

  • Aborrece-se a aperfeiçoar algo que já funciona bem; prefere reinventá-lo.
  • Gera ideias com facilidade, por vezes mais depressa do que as consegue desenvolver.
  • Questiona por hábito o “sempre se fez assim”.
  • Entusiasma-se mais com o processo criativo do que com a repetição, mesmo que a repetição seja rentável.

Um exemplo: numa loja de bicicletas que funciona bem, a pessoa adaptadora melhora o sistema de marcações da oficina. A inovadora propõe alugar bicicletas por subscrição mensal. Ambas contribuem; só uma muda o modelo de negócio, com mais potencial e mais incerteza.

O risco da dispersão

A mesma fonte de ideias que define este perfil pode transformar-se em dispersão se não se combinar com capacidade de execução.

O desafio não é deixar de gerar ideias novas, mas filtrar quais merecem tornar-se algo real e sustentar o esforço necessário para as concretizar, em vez de saltar para a seguinte assim que aparece.

De zero a um: uma leitura de divulgação

Peter Thiel, investidor e autor de Zero to One (2014), distingue duas formas de progresso. A horizontal pega em algo que já funciona e replica-o. A vertical faz algo que antes não existia: passa de zero a um.

É um livro de gestão, não um estudo, mas a sua distinção lembra a de Kirton: o adaptador melhora e replica, o inovador tenta criar o que ainda não existe. Thiel propõe ainda uma pergunta para avaliar ideias:

Que verdade importante partilhas com muito pouca gente?

O que procura não é uma opinião provocadora, mas uma convicção assente em algo que os outros ainda não viram.

Complementar a outros estilos

O estilo inovador combina bem com o executor proativo, que traz precisamente a capacidade de ação rápida que por vezes lhe falta. O estratega cauteloso oferece o contraponto de planeamento que pode filtrar as suas ideias antes de as lançar.

Queres ver o teu próprio estilo? Faz o teste de estilo empreendedor.

Fontes

  • Covin, J. G. e Slevin, D. P. (1989). Strategic management of small firms in hostile and benign environments. Strategic Management Journal, 10(1), 75-87.
  • Feist, G. J. (1998). A meta-analysis of personality in scientific and artistic creativity. Personality and Social Psychology Review, 2(4), 290-309. https://doi.org/10.1207/s15327957pspr0204_5
  • Kirton, M. (1976). Adaptors and innovators: A description and measure. Journal of Applied Psychology, 61(5), 622-629. https://doi.org/10.1037/0021-9010.61.5.622
  • Miller, D. (1983). The correlates of entrepreneurship in three types of firms. Management Science, 29(7), 770-791. https://doi.org/10.1287/mnsc.29.7.770
  • Thiel, P. e Masters, B. (2014). Zero to One: Notes on Startups, or How to Build the Future. Crown Business.

Queres saber mais sobre ti?

Descobre o teu resultado com um dos nossos testes relacionados.

Perguntas frequentes

Inovador significa que não sabe executar?

Não necessariamente. Este perfil descreve o que mais te motiva, a novidade em vez de aperfeiçoar o que já existe, não uma incapacidade para pôr as ideias em prática.

É o único estilo empreendedor válido?

Não. A investigação sobre orientação empreendedora distingue várias dimensões (inovação, proatividade, assunção de risco) que se combinam de formas diferentes em cada empresa, e a teoria de Kirton defende que melhorar o que existe é um estilo criativo tão válido como reinventá-lo.

Este resultado substitui um aconselhamento de negócio real?

Não. É um traço de personalidade perante a novidade e a criatividade, não uma recomendação de investimento nem um plano de negócio real.

Ser inovador é o mesmo que ser mais criativo?

Não, segundo Michael Kirton. O seu inventário distingue o estilo criativo (adaptar o que existe ou romper o quadro) do nível ou capacidade criativa. Uma pessoa adaptadora pode ser tão criativa como uma inovadora; simplesmente cria dentro das regras existentes.